Os desafios no combate à pobreza menstrual no Brasil

Enviada em 01/09/2021

Em sua obra ``Cidadão de papel´´, o escritor Gilberto Dimenstein disserta acerca da inefetividade dos direitos constitucionais, sobretudo, no que se refere à desigualdade de acesso aos benefícios normativos. Analisando a atual conjuntura brasileira, observa-se os desafios enfrentados no que tange o combate à pobreza menstrual à desigualdade social. Com isso, a mulher brasileira encontra barreiras devido à insignificância legislativa e a falta de investimento governamental em ONGs que apoiam a causa.

Priomordialmente, a negligência do Estado em relação as mulheres vítimas da pobreza de recursos ou informações sobre a menstruação, é um dos fatores que impedem esse processo. Desse modo, o governo tem obrigação de garantir a igualdade de tratamento entre os cidadãos, independente de quaisquer condições pré-existentes. A desigualdade social afeta diretamente, no atual contexto, cerca de 713 mil meninas brasileiras não possuem banheiros ou chuveiros em suas casas. Isso acarreta, por consequência, à má higiêne menstrual, aumentando assim, o número de infecções pela falta de recursos fundamentais, como exemplo, a falta de absorventes e saneamento básico nas regiões précarias.

Outrossim, vale ressaltar que a situação é corroborada pela falta de investimento governamental nos projetos que buscam amenizar a desigualdade social, a qual a maioria não possui acesso aos itens mínimos de cuidados menstruais. As mulheres há tempo vêm encontrando barreiras para se estabelecer, como forma de ascensão ao mito de Sísifo, o qual foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Todos os dias, ele atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão, assim a pedra retornava à base. Dessa maneira, configura-se à rotina das vítimas da pobreza menstrual, nas quais encontram a negligência política como sua maior oposição.

Dessarte, é fundamental uma reforma nas entidades da sociedade civil, para que, assim, seja assegurado o direito contido na carta constitucional. Faz-se necessário que as prefeituras, em parcerias com os Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos e da Educação promovam a criação de oficinas educativas a serem desenvolvidas nas escolas. Esses eventos podem ser organizados por meio de atividades práticas como dramatizações, dinâmicas e jogos, de modo a proporcionar a reflexão sobre a falta de recursos menstruais às mulheres brasileiras, Com o embasamento científico adequado, a elucidação sobre o tema abordado ocorrerá rapidamente, auxiliando dessa forma nas mudanças socioculturais.