Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 28/08/2021
Em 2021, a LOA (Lei de Orçamento Anual) anunciou uma redução de 1 bilhão de reais para as universidades mantidas pelo poder público, ameaçando diversas instituições de ensino público a encerrar suas atividades. Tal redução demonstra o frequente descaso por parte do Governo Federal com a educação e a ciência do país, que vem causando uma grande fuga dos cérebros do Brasil, afetando diretamente o desenvolvimento técnico científico do país. Para solucionar esse problema, é necessário entender como o problema estrutural que a educação e ciência brasileira vêm sofrendo causa esse cenário e como a falta de incentivos governamentais agravam a problemática.
Primeiramente, faz-se necessário entender que problema estrutural é esse. Como há pouco investimento na pesquisa brasileira, os cientistas não conseguem desenvolver seus projetos no país, causando um prejuizo para o Brasil, já que além de ele perder a sua possível inovação ao fazer com que cientistas se mudem do país, ele terá de pagar mais caro caso queira importar a nova tecnologia, sendo que esse dinheiro poderia ter sido utilizado para financiar outro projeto científico. Tudo isso cria um ciclo que piora cada vez mais o cenário para os estudiosos do país, que fica evidente ao analisar dados obtidos pelo professor da UNICAMP Fernando Costa, que diz que o número profissionais qualificados que se mudaram para os Estados Unidos triplicou de 2011 para 2017.
Além disso, destaca-se a falta de incentivo do Governo Federal como agravante da problemática. Atualmente no país, não há mais a criação de projetos sociais incentivando o desenvolvimento e qualificação profissional dos brasileiros, pelo contrário, há cada vez mais universidades públicas tendo que encerrar seus projetos de extensão, como iniciação científica, por falta de auxilio governamental. Enquanto isso, há países como os Estados Unidos, que criam atrativos para estrangeiros qualificados como o recente visto EB2 -NIW, que abre caminho para que profissionais graduados consigam seu visto de residência permanente caso demonstrem que irão ajudar no desenvolvimento do país.
Dessarte, medidas devem ser tomadas para resolver o impasse, tais como o maior investimento por parte da Receita Federal nas áreas acadêmicas do Brasil, dando a estrutura necessária para o desenvolvimento dos projetos brasileiros em território nacional, buscando a permanência dos projetistas no país. Além disso, por meio desses investimentos, o Ministério da Educação deve criar programas de bolsas ciêntificas para os brasileiros realizarem intercâmbio em países referência em desevolvimento tecnológico, trazendo conhecimento e tecnologias estrangeiras necessárias para o desenvolvimento científico no país, tornando gradativamente o cenário acadêmico do país favorável a permanência dos brasileiros ao oferecer o apoio necessário para seus projetos.