Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 20/07/2021
A fuga de cérebros na atualidade brasileira é bastante discutida devido aos seus impactos na seara econômica, pois o país perde doutores talentosos por conta do ambiente interno pouco propício para o desenvolvimento de trabalhos científicos. A falta de incentivos governamentais, como fomento a bolsas científicas, corresponde a um dos principais desafios para a manutenção de jovens pesquisadores no Brasil.
O investimento no âmbito educacional é sinônimo de desenvolvimento a longo prazo. Alocar recursos públicos na melhoraria da educação é um dos principais fatores de crescimento econômico na medida em que o Estado trabalha na capacitação de qualidade de estudantes para que esses possam, ao se graduarem, contribuir para a solução de problemas sociais. À título exemplificário, menciona-se o Índice Global de Competitividade, de 2018, que apontou a Alemanha como um Estado altamente competitivo em termos de inovação, pois adota uma política de forte investimento em pesquisa com vista à qualidade educacional. Tal quadro reflete diretamente na sua economia, pois o conhecimento qualificado resulta em empresas competitivas e em constantes inovações tecnológicas.
Em contraposição à essa realidade, destaca-se o Brasil atual, pois ações governamentais adotadas a partir de 2019 têm demonstrado um forte desinteresse na questão cientifica nacional. Como exemplo, citam-se os cortes de financiamentos de bolsa de estudos pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), com 7.590 bolsas de pesquisas de pós-graduandos sendo canceladas. Destaca-se, ainda, a redução significativa, a partir de 2020, no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ), o qual possui como principal missão o fomento da pesquisa no Brasil.
Decerto, ações como essas evidenciam pouco interesse governamental na seara educacional. Consequentemente, muitos pesquisadores recorrem a outros países para se qualificar cientificamente. A falta de estrutura interna com equipamentos que viabilizem pesquisas avançadas, cortes orçamentários em bolsas de pesquisa e o mercado de trabalho pouco atraente em termos salariais criam um cenário favorável para a fuga de cérebros no Brasil.
Logo, para reverter esse quadro de êxodo de pesquisadores, é imperiosa a atuação assertiva do Governo Federal por meio de políticas que favoreçam a educação. O aumento do orçamento para as Universidades Federais é fundamental para a qualificação adequada dos pesquisadores, com a ampliação de bolsas de estudo, com valores justos, para o fomento à ciência. A valorização do pesquisador por meio de melhores salários igualmente tornaria melhor o trabalho científico interno.