Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 01/06/2021
A revolução tecnocientífica informacional, a qual se intensificou na segunda metade do século XX, trouxe ao âmbito global as premissas de ciência e pesquisa, ambas valorizadas em tal conjuntura de revolução. Entretanto, ainda há nações, a exemplo do Brasil, que não fornecem o devido propulsionamento aos campos institucionais de educação e, por isso, acabam passando pelo processo de fuga de cérebros. A respeito dessa temática e seus desdobramentos, cabe analisar os principais desafios presentes no hodierno cenário, a saber: ínfimo investimento estatal em universidades científicas e amplo negligenciamento dado à aquisição de conhecimento.
Em primeira instância, é lícito postular que, consoante ao insigne filósofo grego Platão, o conhecimento é um dos principais instrumentos que levariam à consolidação da Pólis Ideal - que, inclusive, deveria ser governada por indivíduos letrados -. Nessa perspectiva, o autor aponta a importância que deve ser direcionada às “instituições do saber”, pois elas seriam as responsáveis por formarem cidadãos aptos à convivência em sociedade. Não obstante, o que se observa no atual panorama nacional é a falta de capital investido nas universidades federais, como a UFRJ, UFMG e UFSC, empenhadas em atividades de pesquisas. Logo, sem o devido incentivo e reconhecimento de valor, universitários e cientistas optam por sair do país à procura de renomadas instituições intenacionais que prezem pelo saber científico, intensificando, assim, o fenômeno da fuga de cérebros.
Outrossim, é válido mencionar que a larga negligência dada à obtenção de informações acerca das vivências experimentadas torna-se um fator repulsivo, de forma a fomentar a tendência em discorrência. Nesse sentido, segundo o racionalista René Descartes, a aplicação da razão nos mais diversos âmbitos existenciais viabilizaria o conhecimento frente aos aspectos presentes, configurando-se como um poderoso meio capaz de levar um povo ao desenvolvimento, à especialização e ao bem-viver.
Destarte, faz-se necessária a execução de ações concretas, a fim de que o fenômeno da fuga de cérebros seja mitigado. Para tanto, urge o Ministério da Educação - MEC - implantar, nas universidades e institutos científicos, o programa “Mais Ciências”, o qual atuará por meio da distribuição de bolsas de pesquisas vinculadas a projetos de extensão em diversas disciplinas e áreas do saber. Com efeito, permeará no cenário coletivo um dos principais pilares constituintes da Pólis Ideal, modelo de sociedade do qual Platão exaltaria.