Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 07/05/2021
A Constituição de 1988 tem como um dos seus princípios a garantia da plena formação do cidadão para o mercado, além de investimentos em ciência e tecnologia. Todavia, a prática não é coerente à teoria, tendo em vista que a realidade profissional de muitos brasileiros é de descaso e falta de oportunidades, dessa forma, a evasão para outros países torna-se uma alternativa para valorização e qualificação dos profissionais. Nesse sentido, o desinteresse brasileiro em manter e atrair mão de obra qualificada, e a precarização da formação educacional da população colaboram para que a fuga dos capacitados persista.
Em primeira análise, é válido ressaltar a falta de incentivos para a permanência da camada social dotada de alto conhecimento. De acordo com o IBGE, o Brasil é um país com maior parte da população economicamente ativa. No entanto, a preocupação em aproveitar essa mão de obra é quase inexistente, haja vista os salários que, segundo a Organização Internacional do Trabalho, é o menor do mundo. Por conseguinte, a tendência pela busca de empregos valorizados no exterior aumenta, fator que traz impactos futuros ao mercado de trabalho, pois faz com que, ainda por dados do IBGE, 8% dos trabalhadores brasileiros emigrem. Assim, a inoperância governamental é uma entrave para o desenvolvimento do próprio país.
Ademais, juntamente com a falta de incentivos atrativos, a falta de investimentos na especialização dos profissionais, como em laboratórios de pesquisa, negligência no pagamento de bolsistas de mestrado e doutorado etc, também impede o combate à evasão profissional. Nesse contexto, observa-se que a educação brasileira está sempre em segundo plano e urge atenção, fator observado durante o governo de Dilma Rousseff em que foi criado o projeto Ciência sem Fronteiras, que tinha como objetivo consolidar e expandir a ciência e tecnologia do Brasil, entretanto, devido a falta de verbas, vigorou apenas por quatro anos. Com isso, futuros cientistas são perdidos e o Brasil permanece refém da importação, muitas vezes, de produtos produzidos pelos próprios brasileiros.
Em suma, é imprescindível a mitigação dos desafios para combater a fuga de cérebros no Brasil. O Ministério do Trabalho, portanto, deve, por meio de uma lei criada pelo Poder Legislativo, nivelar o salário de todas as profissões com o de países desenvolvidos, para assim amenizar a competição exterior. Outrossim, o Ministério da Educação deve, por meio de investimentos governamentais, apostar em projetos científicos obrigatórios durante toda a vida a acadêmica dos alunos e em todas as escolas, a fim de que também vejam o Brasil como referênciade de profissão qualificada. Diante da articulação dessas medidas poder-se-á ter um país desenvolvido por mérito dos próprios brasileiros.