Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 04/05/2021
Com a vinda da Coroa Portuguesa para o Brasil, em 1808, muitos foram os investimentos na criação de universidades, bibliotecas e museus, os quais atraíram estudiosos estrangeiros para a Colônia. Nesse sentido, tal fato histórico explicita como os investimentos educacionais são necessários, não só para atrair estrangeiros, mas também para fornecer infraestrutura adequada aos acadêmicos nacionais. Porém, no Brasil hodierno, observa-se a evasão de pesquisadores, sendo as deficiências na educação e a desvalorização da ciência pelo Estado os principais desafios no combate a essa fuga de cérebros.
Sob esse prisma, de acordo com o filósofo e educador brasileiro, Paulo Freire, a educação no país é extremamente conteudista e não fomenta nos discentes o pensamento crítico e o raciocínio lógico. Diante disso, tal modelo educacional é insuficiente para estimular os alunos a desenvolverem pesquisas e contribuírem com a ciência nacional. Por conseguinte, os acadêmicos buscam outros países, nos quais possuem oportunidades de desenvolverem habilidades socioemocionais enquanto estudam e se especializam.
Outrossim, segundo o portal de notícias Agência Brasil, apenas 6% do PIB brasileiro é aplicado no setor da educação. Sendo assim, esse dado alarmante revela o descaso governamental em relação à formação acadêmica da sociedade, o que contribui para o sucateamento da ciência. Com isso, os pesquisadores são mal remunerados e trabalham em infraestruturas precárias, por isso, acabam optando por atuar em países onde são mais valorizados e possuem estruturas dignas.
Diante do exposto, com o intuito de atenuar os desafios supracitados, o Ministério da Educação deve promover mudanças na grade curricular brasileira. Assim, isso pode ser feito por meio da inclusão de atividades que estimulem o pensamento crítico, a exemplo de debates e aulas práticas, a fim de que o ensino deixe de ser conteudista, como preconizava Paulo Freire. Ademais, o Governo Federal deve ampliar a verba destinada à ciência. Por fim, essas iniciativas serão importantes para valorizar o saber - como foi feito pela Coroa Portuguesa no século XIX - e, finalmente, combater a fuga de cérebros.