Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 17/08/2021
No início dos anos 40, em uma viagem para o Brasil, o escritor austríaco, Stefan Zweig, encantado com o potencial do país, escreveu o livro “Brasil, país do futuro”, cujo título se tornou uma espécie de apelido para a nação. Entretanto, no limiar do século XXI, Zweig estaria decepcionado, diante de questões que assolam o país, como a fuga de cérebros. Nesse sentido, a falta de investimentos nas pesquisas e nas inovações, além da banalização de certas carreiras no Brasil são desafios que corroboram esse panorama. Assim, são prementes alternativas para superar esses obstáculos.
A princípio, é fato que a carência de investimentos fomenta a fuga de cérebros no Brasil. Nesse contexto, os versos de Drummond, “No meio do caminho tinha uma pedra. Tinha uma pedra no meio do caminho”, ensejam uma reflexão: a falta de incentivos configura-se como uma “pedra” no caminho para impedir a emigração de profissionais qualificados. Nesse viés, a carência de verbas, tanto do governo, quanto de algumas iniciativas privadas impede que muitos estudantes desenvolvam seus projetos e pesquisas. Posto isso, surge uma dependência de outros países que apoiam os cientistas, com equipamentos e oportunidades em centros tecnológicos carentes de habilidades, fato demonstrado por uma pesquisa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior(CAPES), a qual aponta que, só em 2015, perderam quase 50 mil cientistas para universidades estrangeiras.
Outrossim,a banalização de certas carreiras dentro no panorama brasileiro está diretamente ligado a essa grave tendência. Sob esse prisma, no seu Mito da Caverna, o filósofo Platão apresenta a dicotomia entre a escuridão da ignorância e a luz da sabedoria. Analogamente, o Brasil encontra-se em uma espécie de alienação obscura, a qual impede os indivíduos de enxergarem a relevância de certas profissões e o seu incremento à sociedade. Isso se confirma nos baixos salários e taxas de desemprego relacionadas a alguns ofícios, que levam esses profissionais a deixarem o país, como os designers gráficos da animação “A Era do Gelo”, que preferiram emigrar para o exterior, devido ao desgaste de suas habilidades em projetos sem futuro ou de pouco impacto. Evidencia-se, pois, que a falta de reconhecimento de carreiras pode desenvolver uma frustração nesses profissionais e gerar a migração, em busca de melhores oportunidades e condições de trabalho.
Depreende-se, portanto, que a falta de investimentos e a desvalorização de profissões potencializam a fuga de cérebros. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas educativas, por meio de propagandas nos aparelhos midiáticos, sobre a importância de manter essas mentes no país, alertando a sociedade sobre essa migração, com o fito de impulsionar uma pequena revolta por parte da população para incentivar esses trabalhadores a permanecerem.