Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 02/10/2020

Os seres humanos são criaturas sociais. Desde os primórdios de sua evolução, tendem a trabalhar em grupos sociais. Essa inclinação natural a viver e trabalhar juntos os levou a formar sociedades civis, que têm sido moldadas pelo crescimento do conhecimento e pela tecnologia. No Brasil contemporâneo, nota-se o número cada vez maior de indivíduos graduados deixando o país devido a falta de investimento tecnológico voltado à pesquisa e reconhecimento profissional. Torna-se necessário, portanto, o debate acerca da dissolução de tal conjuntura.

Em primeiro plano, urge analisar o papel crucial de cidadãos com níveis elevados de formação acadêmica. Sobre isso, o célebre educador brasileiro, Paulo Freire reflete que a “educação não transforma o mundo, educação muda pessoas, pessoas transformam o mundo”. Entende-se que, indivíduos detentores de conhecimento amplo, exercem papel fundamental no desenvolvimento do país, sendo a educação merecedora de investimentos monetários para sua manutenção e melhoria pois tudo será convertido futuramente em melhoras para todos os cidadãos. É notório, então, que a diáspora de cérebros é prejudicial para toda a nação, devendo ser combatida.

Em segundo lugar, vale salientar que a migração de doutores, pesquisadores e intelectuais se deve também pelo fato de não serem valorizados em seu país. Essa falta de reconhecimento leva a um panorama de descrença no progresso técnico-científico-informacional e muitos optam por migrar em busca de locais que forneçam boa remuneração, oportunidades, infraestrutura, incentivos, investimentos e que reconheçam a importância da pesquisa e produção científica. Torna-se nítido, a necessidade de se lançar um olhar mais crítico de enfrentamento a esse cenário.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar a problemática. Para tanto, cabe ao Governo Federal, através do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e  Comunicações (MCTIC), promover investimentos financeiros em bolsas de iniciação científica e em infraestrutura tecnológica nos polos de desenvolvimento do país e em áreas mais afastadas, com a finalidade de fornecer um cenário favorável ao desenvolvimento de conhecimento no país e explorar todo o potencial natural que se encontra no território. Espera-se, com essa ação, que a sociedade se torne mais consciente da importância das inovações e experiências. Feito isso, o Brasil deixará de exportar cérebros em massa e passará a importá-los.