Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 02/10/2020

Em meados do século XX, deu-se início o processo da Terceira Revolução Industrial, período em que os tecnopolos e a ciência ganharam destaque para a ascensão de um país na escala global. Nesse contexto, manter os exímios cérebros nacionais dentro do Brasil é de suma importância, porém constitui-se um desafio, sendo imperiosa a ampliação de medidas a fim de amenizar os impactos ocasionados por esse cenário. Para tanto, deve-se honrar os cientistas brasileiros, sobretudo através de incentivo financeiro, mas também aumentando a área de atuação dos profissionais.

Em princípio, vale dizer que a ciência, e claramente os cientistas, não são considerados pela sociedade brasileira como imprescindíveis para o país. Nesse sentido, o sociólogo Francis Bacon descreve que “saber é poder”, de modo a exemplificar o conhecimento como qualidade. Em contrapartida, a cultura incutida nos jovens hoje, é de enxergar a escola apenas como uma fase efêmera da vida, e não como uma forma revolucionária de se adquirir conhecimento, encontra-se então a raiz da problemática. Em um efeito dominó, sem reconhecer o conhecimento como chave para o desenvolvimento, os estudiosos das mais vastas áreas da ciência também não são valorizados. Portanto, atribuir a notoriedade necessária a ciência como saber essencial é um impasse enfrentado para a permanência dos talentos brasileiros.

Em virtude disso, o cenário supracitado suscita outro grave revés que estimula a fuga de cérebros: a falta de recursos. Nesse âmbito, a começar pelos poucos tecnopolos, até a verba reduzida e a limitada área de atuação, a carência de apoio por parte do Estado desestimula as grandes mentes, que muitas vezes são obrigadas a usar de seus próprios recursos em pesquisas e afins. De modo análogo, o sociólogo Zygmunt Bauman cita que criou-se a geração do precariado, que por sua vez seriam jovens escolarizados com um emprego ínfimo, nesse caso, expresso pela geração de estudiosos sem possibilidade de exercer ciência. Logo, a diáspora dos cientistas brasileiros acaba por ser intensificada pela falta de incentivo governamental.

Em síntese, medidas devem ser efetivadas a fim de de reduzir a fuga de cérebros no país. Dessa forma, o Governo Federal deve ampliar o número de recursos oferecidos aos pesquisadores, visto que são um indicativo de progresso. Além disso, as escolas locais em parceria com o Ministério da Educação têm de incentivar uma cultura de valorização do conhecimento através de feiras de ciência - as quais formem o vínculo do aluno com o que é ensinado em sala através da experimentação - com vistas a incentivar a carreira profissional dos alunos em formação. Desse modo, garantir-se-á o desenvolvimento nacional através da ciência e tecnologia, que se faz necessário desde o século XX.