Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 26/10/2020

A obra de Nuccio Ordine “A utilidade do inútil: um manifesto” retrata como saberes considerados inúteis, do ponto de vista capitalista, a exemplo da ciência e educação, serem de suma importância para o  desenvolvimento das sociedades. Todavia, apesar de sua relevância, conhecimentos como os elencados por Ordine são desvalorizados, o que leva a saída de profissionais do país em busca de reconhecimento e atuação na área. Sob tal ótica, esse fenômeno conhecido como fuga de cérebros, perpetua-se seja pela ausência de intervenção estatal, seja pela alienação acerca da temática.

Primeiramente, é necessário analisar a conjuntura hodierna. Nesse sentido, o filósofo grego Aristóteles, afirma que o governo é o responsável por garantir o bem comum. Contudo, no Brasil os órgãos governamentais não investem em setores voltados para a formação do indivíduo, principalmente no que diz respeito ao conhecimento científico,  como por exemplo bolsas de estudo para pós-graduandos e projetos de pesquisas inovacionais, a fim de incentivar o desenvolvimento desses seguimentos, e atuação dos profissionais. Tal atitude ocasiona a saída de intelectuais para outros países com intuito de encontrar apoio acadêmico, com o intuito de encontrar melhores condições de trabalho. Em virtude disso, a perda dessa parcela da população  dificilta o avanço da nação, o que leva à necessidade de ações estatais para resolver esse impasse.

Outrossim, a alienação social contribui para a persistência dessa situação. Nessa perspectiva, a filósofa alemã Hannah Arendt, em “Banalidade do Mal”, refletiu sobre o resultado do processo de massificação da sociedade, o qual forma os indivíduos incapazes de realizar julgamentos morais, tornando-se alienados e aceitando as situações sem questionar. Assim, o pensamento da filosofia está relacionado ao contexto de alienação da sociedade brasileira no qual os sujeitos sociais se calam diante das questões que prejudicam grupos menos favorecidos, desconsiderando a importância de determinados recursos, como acesso à educação, para o avanço da sociedade. Sob esse viés, é essencial superar esses paradigmas que prejudicam diversos indivíduos.                                                             Logo, é notório como essa problemática é recorrente no cenário contemporâneo. Portanto, é imprescindível que o Governo, órgão mister do Estado, aliado ao Ministério da Ciência e Tecnologia, promova o incentivo de atuação para profissionais nessas áreas, por meio da criação de programas de bolsas de iniciação a pesquisa, bem como ampliação de empregos, a fim de impedir que aconteça o fenômeno da fuga de cérebros e, consequentemente, o país não seja afetado com tal perda. Feito isso, caminhar-se-á para um futuro no qual a valorização de conhecimentos descritos por Ordine ocorra em sua totalidade.