Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 19/10/2020
No romance “Fahrenheit 451”, escrito por Ray Bradbury, é possível ver a trama de um governo que queima os livros para evitar a propagação do conhecimento, analogamente, o sistema político nacional não investe em pesquisas, consequentemente gerando a ignorância populacional. Além disso, essa escassa aplicação de verba em pesquisas gera uma insuficiente propagação do conhecimento, contribuindo para o atraso tecnológico e estudantil brasileiro. Outrossim, é notório a ausência de investimento por parte governamental, nas áreas de humanas, acabando por degradar certas profissões da área, como a filosofia e a sociologia.
Em primeira análise, segundo dados da Receita Federal do Brasil, em 2018 cerca de 22,4 mil pessoas declararam que saíram definitivamente do país. Dessarte, isso é reflexo da falta de investimentos governamentais nas áreas de pesquisa, em que a maioria dos intelectuais se sentem prejudicados pelo desinteresse governamental, decorrentemente encontrando melhores oportunidades no exterior. Ademais, entre as adversidades, pode-se salientar o desenvolvimento retrógrado nas pesquisas nacionais, afinal, a maior parte das inovações acaba se encaminhando para outros países. Isso pode alavancar uma alienação populacional ao não desenvolver os ramos educacionais brasileiros.
Sob um segundo olhar, é visível a falta disposição do governo em investir nas áreas de humanas, gerando uma disparidade nos projetos de pesquisa, em que muitos profissionais se prejudicam com a falta de verba, além de fomentar o desapreço da comunidade em relação as profissões do ramo, principalmente os profissionais da educação, que não são valorizados em território nacional. A fim de exemplificação, há diversas propostas governamentais que pretendem retirar filosofia e sociologia da grade do Ensino Médio, afetando o conhecimento crítico dos jovens. Isso é consoante com o pensamento de John Dewey, em que profere que a educação é desenvolvimento, ou seja, é pelo investimento em pesquisas, que pode-se gerar a reflexão analítica na comunidade.
Por tal prerrogativa, é de incumbência do Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, realizar um maior investimento nas áreas de pesquisas, por meio da ajuda financeira aos estudantes, com a finalidade de evitar a fuga de cérebros e consequentemente a alienação populacional. Além disso, é de função desses Ministérios, promover um melhor direcionamento do dinheiro aplicado, por meio de um equilíbrio entre as áreas do conhecimento, em que todas as matérias são incentivadas com o mesmo afinco, com o objetivo de possibilitar uma melhor valorização dos profissionais de humanas, além de suscitar o conhecimento entre os jovens, seguindo os princípios de Dewey.