Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 19/09/2020
A Constituição Federal de 1988 assegura, legalmente, que a pesquisa científica receberá um tratamento prioritário do Estado. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que, como o Brasil não oferece um ambiente favorável à ciência, milhares de cientistas migram em direção a outros países com propostas mais atrativas para o desenvolvimento de sua pesquisa. Esse cenário ocorre não só em razão da desconfiança do público geral com relação ao trabalho acadêmico, mas também pela ausência de políticas públicas com o objetivo de investir nos projetos universitários. Logo, é necessário uma estudo dessa conjuntura, com o intuito de mitigar tais entraves.
Em primeira análise, é preciso ressaltar a falta de incentivo governamental para o desenvolvimento de pesquisas. Nesse contexto, destaca-se a carência de capital estatal destinado aos estudos acadêmicos. Segundo dados coletados pelo Instituto de Estatística da UNESCO, Estados Unidos e Alemanha contribuem com aproximadamente 3% do seu PIB, enquanto o Brasil não chega a 2%. Dessa forma, fica claro que, as grandes nações não medem esforços em aplicar dinheiro nas suas universidades, ao passo que, o Estado nacional não coloca como prioridade as inovações científicas e como resultado é possível ver a diáspora de grandes ideias e a dependência de produtos estrangeiros.
Paralelamente, é necessário mudar a mentalidade do público com relação a ciência. De acordo com a pesquisa global “Welcome Global Monitor”, de 2018, 23% dos brasileiros acreditavam que a produção científica não beneficiava a sociedade. Esses dados refletem uma realidade preocupante: muito das descobertas não saem dos centros acadêmicos. Sob essa ótica, é válido citar a cultura de massa, conceito elaborado pela escola de Frankfurt, o qual afirmava que, para um conhecimento ser transformado em produto, ele deve passar por uma simplificação. Logo, devido ao uso de linguagem bastante técnica, os estudos raramente chegam de forma acessível até o grande público, reforçando a crença de que os seus gastos são dispensáveis .
Diante do exposto, fica evidente que é imperativo um incentivo de capital nas pesquisas, bem como, tornar suas descobertas mais democráticas. Dessa maneira, o Ministério da Educação, em parceira com empresa privadas, deve desenvolver um app, em que cientistas publicarão seus estudos e um grupo de especialistas de cada área selecionará os mais promissores e disponibilizarão uma bolsa com o montante necessário para a sua evolução, a fim de evitar a fuga de cérebros do país. Conjuntamente, nas mídias sociais do órgão governamental deverá ser postado todas as novas descobertas, utilizando uma língua mais simples, com o objetivo de aproximar o público da ciência e para que ela seja de fato tratada como prioridade, tal como é previsto na constituição.