Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 06/10/2020
No filme “O homem que viu o infinito”, tem como protagonista o indiano Srinivasa, que é obrigado a deixar seu país para desenvolver seus conhecimentos em matemática, pois sua pátria não lhe proporcionaria isso. Não distante da realidade de Srinivasa, está a de muitos cientistas brasileiros e educadores, que se veem obrigados a deixar o Brasil para continuar sua pesquisa ou proporcionar um ensino de qualidade, urgindo a necessidade da discussão sobre a fuga de cérebros da sociedade brasileira, que atualmente apresenta suas principais causas pelo corte de verbas para pesquisas, e o pensamento de desvalorização da ciência e educação causado pelas fake news.
Primeiramente, com o advento das redes sociais se teve um aumento considerável nos dias de hoje das notícias falsas, que ficaram conhecidas como fake news, se espalhando na vida dos brasileiros, com a exposição de vídeos e mensagens com inverdades sobre as universidades federais, que são polos de pesquisa no Brasil, e o ensino nas escolas como algo partidário, graças a essas mentiras o governo do atual presidente Jair Messias Bolsonaro, consolidou uma política de desvalorização cientifica, segundo a Agência Universitária da USP, apoiando projetos como escola sem partido e promovendo cortes orçamentários para ciência.
O pensamento de desvalorização da educação pelo espalhamento de noticias falsas, contraria um dos maiores educadores brasileiros, Paulo Freire, visto que, a educação muda a sociedade e os que valorizam o conhecimento se mantém nela. Em ressalto aos cortes orçamentários, segundo o jornal, O Globo, em 2020 ocorreu a perda de 87% do orçamento em uma das maiores agências de pesquisa estatais (CNPQ), colocando em risco bolsas e equipamentos para efetivação de uma ciência que geraria resultados globais, e a longo prazo poderiam gerar milhões de reais ao Brasil pelas patentes, que ficarão com os países que aceitarem esses pesquisadores e seus projetos.
Em suma, embora existam projetos de leis que tramitam nos órgãos legislativos nacionais, contra às fake news, para combater a saída de pesquisadores e educadores do Brasil como Srinivasa, é necessário romper o “hábitus” da depreciação cientifica, e isso se daria pela parceria entre o Ministério da Educação, universidades, escolas e o Ministério da Economia, para promoverem eventos nas universidades que divulgassem o trabalho realizado e os benefícios das pesquisas, e mais reuniões de pais nas escolas, afim apenas, de demonstrar as metodologias dos professores, além da análise do ministério da economia dos benefícios econômicos que as pesquisas trouxeram em países desenvolvidos, promovendo maiores editais para pesquisadores, somente assim o pensamento de Paulo Freire se efetivará, transformando o país em reduto de conhecimento e não saída dele.