Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 13/09/2020

’      A ciência acontece, predominantemente, em países com um cenário socioeconômico estável e em crescimento, tais como os das nações desenvolvidas. Pode-se confirmar tal afirmação usando, por exemplo, a ocorrência do Iluminismo, uma revolução cultural, social, política e econômica do século XVIII que teve início no continente europeu, região mais abastarda e estável durante o período. Nesse viés, a vasão de estudantes e trabalhadores brasileiros no ramo da ciência em busca de melhores oportunidades, são motivadas pela intensa instabilidade socioeconômica que o país se encontra, além da falta de investimento e precariedade na infraestrutura de centros de ensino, que representam os locais de maior produção científica no Brasil.

A educação é a base de qualquer sociedade contemporânea, já que é por meio dessa que novas formas de resolução de problemas são desenvolvidas, beneficiando toda uma nação. Sabendo disso, a precária realidade de escolas, faculdades, entre outros locais educacionais do Brasil que, diversas vezes não possuem ferramentas e a tecnologia necessária para o desenvolvimento de novos mecanismos e projetos, leva à migração de estudantes em ascensão para países em que o conhecimento seja tratado como algo valioso. Assim, importantes cidadãos que, futuramente, fariam parte e beneficiaram o mercado de trabalho brasileiro passam a integrar e a enriquecer uma economia estrangeira. Um dado que comprova esse fenômeno é que, em 2017 cerca de 21.000 brasileiros compraram passagens somente de ida para os Estados Unidos.

De acordo com o filósofo grego, Sócrates “a vida sem ciência é uma espécie de morte”. Com base nessa informação, a diminuição de verbas destinadas a pesquisas e a aquisição de tecnologias de ponta é uma maneira de calar a criatividade e o potencial de um país que tem muito a se beneficiar pelo incentivo à evolução educacional. Adicionalmente, o Estado sofre as consequências da imprudência de suas ações ao ter que investir em outros países para a garantir de acessos a produtos diferenciados, que poderiam ser produzidos internamente caso houvesse formas de assim fazê-lo. Em suma, a negligência em relação a gnose gera um impacto à longo prazo no Brasil, que insiste em permanecer na mesmice.

Em síntese, faz-se notável a necessidade de mudanças. O Ministério da Educação deve agir para a manutenção de faculdades em situação de calamidade, contribuindo para a garantia da qualidade de ensino para a formação pessoal dos cidadãos. Além disso, deve-se investir em centros de pesquisas e em pesquisadores para assim incentivar a produção de conhecimento e tornar a ciência algo viável e lucrativo no Brasil evitando a saída de brilhantes mentes para outros locais.