Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 09/09/2020

“Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido.” – conforme o pensamento do economista britânico Arthur Lewis, que muito bem se relaciona à precária realidade educacional e acadêmica no Brasil: pobre em investimentos na área de pesquisas e com má remuneração de pós-graduados no mercado de trabalho. Desse modo, o Brasil enfrenta inúmeros desafios no combate à fuga de cérebros para outros países mais desenvolvidos. Logo, faz-se necessária uma reestruturação nas campanhas públicas em prol de solucionar os problemas de investimentos nas universidades e centros de pesquisas.

Nesse contexto, no Brasil, segundo dados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico, a verba investida em pesquisas universitárias teve uma redução de R$ 4,8 bilhões para R$ 1,4 bilhão. Analogamente a isso, o valor repassado aos partidos políticos na última década alcança a marca de R$ 10 bilhões. Tais fatos evidenciam que há uma histórica desvalorização no âmbito dos investimentos voltados para pesquisas acadêmicas no Brasil, fazendo com que milhares de estudantes e pós-graduados busquem oportunidades em outros países que investem mais. A exemplo disso, o governo dos Estados Unidos investiu US$ 118,3 bilhões em pesquisa e desenvolvimento, sendo o principal país alvo dos brasileiros. Dessa forma, o Brasil segue sendo um país atrasado no que tange a ciência, dependendo cada vez mais do resultado de pesquisas e inovações desenvolvidas nos países de primeiro mundo.

Outrossim, segundo análises recentes da OCDE, Suíça e EUA são os países que melhor remuneram seus pós-graduados, enquanto o Brasil não figura na lista dos 30 países que mais valorizam seus profissionais na área de pesquisas. Evidencia-se, portanto, que o Brasil não somente comete a negligência de pouco investir em pesquisas, mas também pouco remunera os profissionais que adentram o mercado de trabalho em busca de oportunidades de desenvolver pesquisas acadêmicas e inovações científicas. Dessa maneira, existe uma enorme evasão de diversos profissionais brasileiros em busca de melhores salários e reconhecimento em países desenvolvidos – como os Estados Unidos e Suíça.

Portanto, a fim de solucionar tais problemas, o Ministério da Educação deve promover e fomentar a cultura da valorização de pesquisas acadêmicas e dos profissionais envolvidos, por meio de uma lei que obrigue o investimento anual de R$ 50 bilhões em pesquisas nas universidades públicas e reajuste no teto salarial dos pesquisadores para 30% a mais que o atual, para que haja um real combate à fuga de cérebros no Brasil, uma vez que “Educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento".