Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 05/09/2020

A partir da Revolução Industrial, diversos povos passaram por profundas transformações, não só econômicas como, principalmente, sociais. Embora a sociedade brasileira atual apresente contornos específicos, ainda é possível visualizar o legado presente na questão da busca por melhores oportunidades profissionais em outros países. Dessa forma, observa-se que os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil refletem um cenário desafiador, seja em virtude da lenta mudança na mentalidade social, seja pela falta de investimento em pesquisas científicas.

Em primeiro plano, é preciso atentar-se para a lenta mudança na mentalidade social presente na questão. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da fuga de cérebros no Brasil é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social que desestimula a pesquisa científica, a tendência é que jovens pesquisadores se sintam desvalorizados, buscando carreiras em países que ofereçam um ambiente mais propício para a pesquisa e inovação, o que torna sua solução ainda mais complexa.

Vale ressaltar, também, que a fuga de cérebros no país evidencia a falta de investimento em pesquisas científicas. O Positivismo defende o método científico como caminho para a resolução de problemas da humanidade. No entanto, essa corrente filosófica é contrariada na realidade brasileira atual, no que tange a falta de investimentos em capital humano e  infraestrutura adequada,  em razão do governo priorizar outras áreas de conhecimento. Assim, como consequência, os jovens pesquisadores desencantados começam a emigrar para países onde a Ciência e Tecnologia são valorizadas.

Torna-se imperativo, então, desenvolver medidas que ajam sobre a problemática. Para esse fim, é preciso que o Estado,através do Ministério da Educação, em parceria com redes de ensino privadas, criem projetos nacionais que façam a sociedade repensar a priorização de seus interesses financeiros. Tais campanhas devem refletir a atuação desses interesses na irresolução de melhorar as condições de pesquisa científica no Brasil, para que a população não precise buscar em outros lugares oportunidades que podemos oferecer em nosso próprio território nacional. Em suma, é preciso construir um Brasil melhor, pois, como defendeu Simone de Bevouir: “Cada um de nós é responsável por tudo e por todos os seres humanos”.