Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 07/09/2020

Para Aldous Huxley, famoso literato, “os fatos não deixam de existir só porque são ignorados”. Sob essa perspectiva, é possível ligar a saída de profissionais nacionais para outros países com a frase de Huxley, tendo em vista que esse é um grande problema e que gera pouca repercussão. Diante disso, medidas são necessárias para minimizar a questão da fuga de cérebros no Brasil, geralmente causado pela escassez de reconhecimento da importância da ciência e pela falta de investimentos.

Em primeira análise, vale salientar a carência de reconhecimento da ciência como uma das raízes do problema. Ainda que o país seja rico em bons profissionais e ótimas  universidades, as pesquisas feitas por estes não são valorizadas. Desse modo, pode-se citar o tratamento de queimaduras por meio das escamas de tilápia, um método desenvolvido por pesquisadores e médicos brasileiros e que possui grande influência no exterior, mas pouco reconhecimento no Brasil. Nesse sentido, torna-se evidente que os próprios cidadãos brasileiros corroboram para a fuga de cérebros, umas vez que não valorizam a riqueza de nossa ciência.

Ademais, é possível destacar a falta de investimentos do governo em questões científicas como impulsionador da problemática. Decorrente da falta de reconhecimento, a escassez de capitais financeiros para o avanço de pesquisas configura um dos motivos pelos quais diversos estudiosos procuram por melhores oportunidades em outros países. Suzana Herculano-Houzel, uma famosa neurocientista brasileira, alegou já ter usado seu próprio dinheiro para bancar pesquisar, e por conta disso migrou para os Estados Unidos, justificando estar cansada da mediocridade presente no ambiente nacional. Assim, no que tange à diáspora de cérebros no Brasil, observa-se que o grande causador desse adverso é o próprio governo.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Faz-se mister, pois, que a mídia, em parceria com as grandes universidades estaduais e federais, crie  campanhas sobre a importância da ciência e das pesquisas para o futuro do país, por meio de programas de TV e anúncios em rádio, juntamente de outdoors em locais públicos de grande circulação populacional. Além disso, o Governo Federal deve disponibilizar parte das verbas para universidades que não só possuam pesquisas em andamento, mas também para as que pretendem iniciar estudos sobre determinado assunto, valorizando os pesquisadores nacionais. Espera-se, dessa maneira, que ocorra a limitação desse adverso imbróglio social e que este fato deixe de ser ignorado.