Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 31/08/2020

Na série documental “Brasil Ciência”, exibida pelo Discovery Brasil, são retratadas descobertas científicas e tecnológicas nacionais, que mostram o quanto são importantes investimentos nessa área. Entretanto, observa-se que a fuga de cérebros no Brasil compromete diretamente o progresso científico-tecnológico mostrado na série. A partir desse viés, é fundamental discutir como a negligência governamental e a falta de apoio popular contribuem para que essa situação se agrave.

É importante destacar, de início, que a falta de investimentos por parte do Estado, no que diz respeito à esfera científica, faz com que muitas pessoas qualificadas deixem o país em busca de maiores benefícios. Ao tomar como base o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman, a partir do qual “a sociedade contemporânea é regida pelo imediatismo e pela superficialidade”, nota-se que o conhecimento científico, por ser construído ao longo do tempo, é desvalorizado. Dessa forma, o Governo brasileiro, baseado no sistema capitalista e em políticas imediatistas, não fornece investimentos nas áreas científicas, o que, por consequência, gera a saída desses profissionais do país. Prova disso foi que, em 2019, o Governo cortou cerca de onze mil bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Convém pontuar, ainda, que a falta de apoio da população na construção de pessoas qualificadas impede a mitigação da fuga de cérebros no Brasil. Isso acontece porque, devido às publicações científicas terem uma linguagem pouco acessível ao público leigo, grande parte da população acredita que financiamentos em ciência seja algo desvantajoso para a economia nacional. Por conseguinte, a maioria dos profissionais ligados à esfera científica e tecnológica são desvalorizados e, por causa disso, procuram outros países. Tal questão pode ser observada por meio de dados da Receita Federal, os quais mostram que, em 2017, cerca de vinte e um mil trabalhadores qualificados foram para os Estados Unidos, comprovando, assim, que a falta de apoio e incentivo popular contribuem para o agravamento da situação.

Infere-se, portanto, que a fuga de cérebros no Brasil deve ser combatida. Para isso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações deverá, por meio de 5% do PIB nacional, investir em bolsas de estudo para os profissionais brasileiros que, mediante contrato, se comprometerem a permanecer no país por, no mínimo, cinco anos, a fim de que o número de pessoas altamente qualificadas aumente no Brasil. Além disso, o Ministério das Comunicações deverá criar uma banca examinadora, a qual irá revisar todas as publicações científicas e torná-las acessíveis a toda população. Com isso, a realidade vista na série “Brasil Ciência” fará, cada vez mais, parte do cotidiano dos brasileiros.