Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 16/09/2020

Brain Drain, Brain Gain

Nesse país de dimensão continental, a ciência não é minimamente estimulada e pela exiguidade de incitamento à pesquisas e desenvolvimento, torna-se muito difícil a inserção de profissionais altamente capacitados no mercado de trabalho. Provocando então, o fenômeno chamado de evasão de conhecimento, onde profissionais altamente qualificados (doutores e mestres) são incentivados a partir do Brasil em busca de oportunidades mais sólidas.

Com incentivos à produção de conhecimento e valorização desses profissionais, países como Suíça, EUA, Singapura e Inglaterra, acabam por ser o destino de cientistas profundamente qualificados em suas áreas do conhecimento. As áreas mais afetadas são aquelas ligadas à tecnologia, por exemplo tecnologia da informação, diversas engenharias, marketing e bioquímica. Não tratam-se apenas de investimentos financeiros e bolsas universitárias, mas principalmente a oportunidade de poder ingressar no mercado de trabalho após árduos anos de pesquisa e, inclusive, poder ter a aceitação delas nesse ambiente.

O desafio inicial para o Brasil combater esse fenômeno é o reconhecimento de sua falta de consciência do que é a ciência e a importância dela para a nação. Não debate-se sobre o assunto e por isso a situação tem sido negligenciada. Os pesquisadores que substituiriam seus mestres, estão levando para fora todo seu conhecimento e o investimento feito em sua educação. Exemplificativamente, há o caso de “Rico” Mavar, um dos líderes da Microsoft, brasileiro formado pela UnB e também Duília de Melo, uma pesquisadora da NASA, saída da UFRJ.

Um segundo desafio é o refreamento aos investimentos nos setores de tecnologia e inovação, havendo rasa diversidade tecnológica e poucos serviços empresariais sofisticados. Mas a fim de haver grandes retornos, devem ser realizados grandes investimentos e aumentar as verbas para o Ministério de Tecnologia, Ciência, Inovação e Comunicação (MTCIC) seria o início (atualmente o valor vertido supera pouco mais de 10 bilhões de reais). Intensificando projetos que apoiem empresas por meio do  CNP-q  (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), da EMBRAPA, do MEI e instituições como Fio Cruz e Butantã.

Em suma, compreende-se que a educação sozinha não desenvolve um país. É necessário um setor produtivo nacional, com empresas e instituições que absorvam esse conteúdo. Afinal, é como diz o economista Paulo Gala: “A educação que não encontra respaldo em oportunidades no mercado de trabalho promove a fuga de cérebros”.