Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 01/05/2021

“Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, a frase do educador Paulo Freire, demonstra a contraposição entre transformação e estaticidade, o qual dedicou grande parte do seu estudo e trabalho voltado para a obtenção de um ensino mais autônomo e crítico para o aluno. Entretanto, na contemporaneidade, mostra-se o descaso nas posturas tomadas a partir do reconhecimento e investimento nas áreas relacionadas à educação no Brasil, levando à uma fuga de especialistas em diversas esferas, tornando cada vez mais difícil manter estes profissionais no País. Como resultado disso, ocorre o desinteresse de alunos no estudo, e principalmente, na especialização através do ensino superior, além do não desenvolvimento de indústrias e produtos, logo, ampliando a importação de produtos externos ao invés do crescimento destes no Brasil. Em primeira instância, pontua-se a diminuição da taxa de investimentos fiscais para o Ensino Básico e Superior, com uma baixa de 25% e 47% respectivamente, no atual governo de Jair Bolsonaro, em comparação às gestões anteriores de Temer e Dilma. Dessa forma, com o descaso do próprio estado, o aluno não demonstra interesse num ensino precário, principalmente em instituições públicas, fazendo com que esses não se especializem, gerando um ciclo de cargos similares no mercado de trabalho, e uma maior disputa, acrescendo o desemprego. Além disso, torna-se um cenário dificultoso à aqueles que se esforçam para adquirir uma especialização, pois, com o pouco investimento, muitos utilizam seu próprio dinheiro em suas pesquisas, o que recorrentemente ocorre envolvendo produtos relacionados a tecnologia e ciência. Logo, torna-se mais proveitoso a migração de Brasileiros para outros países, retrato disso é o crescimento que ultrapassa os 100% de 2018 para 2019, sendo no último, mais de 22.000 pessoas que declararam saída definitiva do País segundo a Receita Federal. Portanto, faculdades e instituições públicas no exterior são alvos desses Brasileiros, obtendo o investimento suficiente para desenvolvimento de seus projetos. Outro ponto também relevante, é a necessidade de importação de produtos, por conta da limitação de seu crescimento, acarretando pouco progresso no País, como no caso da importação de vacinas na pandemia do atual coronavírus, envolvendo a AstraZeneca, importada de Oxford, com gastos maiores, do que seriam se fosse desenvolvida no Brasil. Diante do exposto, o combate à fuga de cérebros inicia-se pelo aumento do investimento no ensino, tanto no Básico e Fundamental, resultando maior interesse desde a infância do aluno, quanto no Superior, na ampliação das pesquisas e formulação de tecnologias e, consequentemente ao PIB Brasileiro, por meio do governo Federal, além de iniciativas do MEC para a especialização advindo de programas escolares, mostrando aos alunos sua importância para o desenvolvimento de novas tecnologias, da ciência, e do mercado de trabalho abrangente, a partir de novos produtos, e áreas profissionais.