Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 10/06/2020
No livro Guerra e Paz, de Liev Tolstói, é notório o uso do francês por grande parte dos indivíduos da corte russa, mesmo em guerra com a França. Isso acontece, sobretudo, devido à supervalorização da cultura francesa. De forma análoga, é possível destacar o panorama atual, à medida que o brasileiro idolatra os polos tecnológicos estrangeiros. No entanto, a fuga de cérebros atual é compreendida, já que, infelizmente, o Brasil desvaloriza a produção científica. Assim, é necessário, pelo menos, garantir o retorno da mão de obra qualificada em algum momento da vida.
Hodiernamente, é inevitável o fluxo de mão de obra qualificada para o exterior. Nesse contexto, torna-se útil analisar o filme “O homem que viu o infinito”, no qual o protagonista indiano vai para os Estados Unidos (EUA) para publicar seus estudos algébricos. Dessa forma, a valorização dos Estados Unidos da América como polo produtor de conhecimento não é reversível, uma vez que é um quadro histórico fundamentado pela publicação de várias descobertas, como a retratada no filme.
Não obstante, é fundamental que haja valorização da ciência no Brasil para evitar que haja uma fuga unilateral de potenciais cientistas. Se por um lado, não é possível impedir que países como os EUA atraiam os cérebros brasileiros; por outro, é possível desenvolver um movimento análogo ao pendular, de forma que haja retorno da mão de obra qualificada em algum momento. A Coréia do Sul, atualmente com empresas de primeira tecnologia, aproveitou a qualificação de sua mão de obra no exterior para desenvolver o país. Nesse sentido, os fatores afetivos serão capazes de atrair esses indivíduos, desde que haja incentivo governamental.
São essenciais, portanto, medidas para garantir o retorno da mão de obra qualificada. Então, é papel do Governo Federal, em consonância com as principais universidades do país, aumentar o investimento em pesquisa científica, com aumento das bolsas nas faculdades. Por conseguinte, é possível aperfeiçoar esse programa, ao tomar como tutores indivíduos que estão no exterior, de forma que fomente a produção tecnológica do Brasil.