Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 10/06/2020
O escritor brasileiro Carlos Drummond de Andrade, em seu poema ‘’no meio do caminho’’, retrata, de modo figurado, os contratempos que o ser humano sofre em sua jornada. Não distante da obra, é possível perceber que uma parcela da sociedade contemporânea está sujeita aos efeitos gerados pela fuga de cérebros que é a saída de profissionais bem qualificados para outros países, o que dificulta o desenvolvimento do país. Logo, faz-se necessário entender os motivos desses profissionais e os problemas no combate dessa emigração.
É preciso considerar, antes de tudo, a causa mais apontada pelos brasileiros na hora de sair do país para moradia e trabalho, segundo dados da Receita Federal 56% desses profissionais tem como motivo a violência no país. Nesse contexto, o filósofo inglês John Locke afirma que o Estado, mediante um contrato social, deve garantir a todos os indivíduos o direito ao bem-estar. No entanto, na prática, nota-se o oposto, uma vez que o Estado não cria políticas públicas eficientes para resolver essa questão o acaba por gerar outros problemas como a saída de capital humano para outros países mais desenvolvidos.
Além disso, é válido apontar a desorganização política como outro fator que alimenta o impasse. A esse respeito, a Terceira Lei de Newton afirma que toda ação gera uma reação de mesma intensidade, mas que atua em sentido oposto. Da teoria à prática, nota-se que a falta de investimentos no setor de segurança pública e educação sustenta a permanência da alta violência e desvalorização de estudiosos e, por conseguinte, colabora para saída de profissionais brasileiros para outros países.
Em suma, a permanência desses profissionais é essencial para o desenvolvimento econômico e cientifico do país, porém ainda requer ações mais efetivas para evitar a fuga de cérebros. Nesse sentido, é preciso que o Estado - dado as suas obrigações referentes ao enfrentamento de problemas com vistas a garantir o bem-estar populacional - por meio do Ministério da Economia crie parcerias com instituições privadas que visam o desenvolvimento ciência, e possam repassar investimentos para o Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior. Também cabe ao Ministério da Justiça, o ofertamento de cursos de capacitações para policiais e uso de um centro integrado de inteligencia entre cidade e capitais, fazendo uso de computadores e câmeras em vias publicas para a rápida troca de informações. Somente dessa maneira, será possível não fazer analogias à obra de Andrade, e, decerto, o corpo social terá o seu bem-estar garantido.