Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 06/06/2020

Seja no suco de laranja do desjejum do estadunidense, ou na carne bovina no Yakissoba do chinês, o Brasil se faz presente como um grande exportador de “commodities” que abastecem a mesa da população global. No entanto, atualmente, na lista de exportações nacionais, os pensadores brasileiros vem ganhando destaque ao deixar o país por causa, principalmente, da falta de investimentos na educação e menosprezo social pela ciência.

A princípio, a matriz do problema é revelada ao se analisar a falta de investimentos como principal agente da fuga em massa de cérebros do país. Isso acontece devido, principalmente, ao descaso governamental que cria um cenário totalmente desfavorável aos cientistas e, paulatinamente, vem enfraquecendo o cenário científico nacional. Esse panorama se materializa nos frequentes cortes no repasse de verbas aos setores de pesquisas, como o recente contigenciamento de mais de 40% das verbas destinadas ao Ministério da Ciência e Tecnologia assim como ao Ministério da Educação que encerrou o financiamento de várias pesquisas universitárias, em 2019. A partir disso, fica evidente que a falta de apoio do próprio Estado ao desenvolvimento da ciência no país, além de dificultar a vida acadêmica, contribui com a diáspora de intelectuais do país.

Além disso, o problema se agrava ainda mais ao se analisar o desprezo às comunidades científicas como um dos principais responsáveis pela fuga de cientistas para outros países. Esse descaso acontece na forte carga ideológica de negacionismo contra a intelectualidade o que, por sua vez, traz, ao Brasil, um projeto de “inquisição” em que a ciência assume o papel de bruxa queimada nas fogueiras do revisionismo, como acontecia na idade média com a perseguição católica contra os “hereges”. Isso se materializa nos recentes acontecimentos frente à pandemia do Covid-19 em que instituições como a OMS, por exemplo,  têm suas recomendações ignoradas pelo próprio Estado que incentiva práticas reprováveis cientificamente. Essa “demonização” às instituições de ensino desestimulam e contribuem com a migração de cérebros para países onde a ciência é valorizada.

Portanto, é preciso, urgentemente, manter os cientistas nacionais no país. Desse modo, cabe ao Estado a tarefa de fornecer as condições ideais aos pesquisadore e, para isso, é preciso realizar parcerias com o setor privado, oferecendo incentivos fiscais às empresas que financiarem instituições de ensino e projetos de pesquisa para dar o suporte necessário aos “cérebros” brasileiros. Além disso, é preciso que o Estado ressalte, para a sociedade, a importância do fazer científico por meio de parcerias com a mídia para a divulgação de programas sobre curiosidades científicas e realização de eventos públicos que insiram a sociedade nesse “mundo” para aproximar os brasileiros e a ciência.