Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 07/06/2020
Uma postura destituída de empatia perante o sofrimento alheio. Essa é a imagem presente no quadro O grito do pintor Edvard Munch, pois, na elaboração dessa arte expressionista, vê-se, ao fundo da tela, personagens que se mostram indiferentes à angústia evidenciada pela figura humana do plano central. Entretanto, essa cena não se limita ao âmbito artístico, já que as vítimas da fuga dos cérebros vivem algo semelhante no Brasil, tendo em vista que elas têm sido esquecidas por alguns setores governamentais e sociais. Sob essa ótica, cabe analisar os aspectos políticos e culturais que envolvem essa questão no país.
Primeiramente, pontua-se que o Poder Público mostra-se negligente ao não combater a fuga dos cérebros. Isso porque há, por parte dos órgãos executivos, uma ineficiência quanto ao processo de conscientização, uma vez que falta informar à população sobre a necessidade de valorizar, desde a infância, a ciência, dificultando o desenvolvimento pleno dessa e, por conseguinte, a violação do direito à informação. Sendo assim, nota-se que o governo não tem garantido o bem-estar de todo o coletivo, demonstrando, dessa forma, a ausência de consolidação dos princípios fundamentais alicerçados nos ideais iluministas do século XVIII em prol da democracia.
Também, observa-se que o silenciamento social frente à fuga dos cérebros apresenta-se como fator agravador desse quadro negativo. Contudo, parte da população tem demonstrado certa inércia diante desse cenário, por acreditar que são majoritários os segmentos políticos contrários ao financiamento estatal para a criação de novos espaços para o desenvolvimento de pesquisas científicas nas universidades, comprometendo, então, novas descobertas. Recorrendo aos estudos da cientista política Elisabeth Noelle- Neumann para explicar esse fenômeno, constata-se que, para evitar conflitos com grupos dominantes, alguns indivíduos tendem a fortalecer uma ´´espiral do silêncio``, permitindo, assim, a manutenção de alguns entraves.
Ressalta-se, portanto, que a fuga dos cérebros deve ser combatida. Logo, é necessário exigir do Estado, via debates em audiências públicas, uma maior conscientização, priorizando a valorização do saber científico, com o objetivo de incentivar pesquisas para melhorias sociais. Ademais, é essencial estimular a população, por intermédio de campanhas midiáticas produzidas por órgãos não governamentais, a respeito da necessidade de haver um maior engajamento coletivo para a ruptura de discursos dominantes, potencializando, assim, o investimento financeiro em espaços para o fazer científico. Desse modo, o grito - diferentemente do da obra de Munch - poderia romper o ``silêncio´´ dos resignados.