Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 07/06/2020

O passado histórico-cultural do Brasil é marcado pela falta de investimentos na área tecnológica e industrial e pela dependência de países estrangeiros, como Inglaterra e EUA. Essa situação persiste na contemporaneidade, especialmente, no setor científico, ocasionando um dos motivos para a saída de cientistas do país. Além dessa situação estrutural e econômica, a mentalidade brasileira permanece atrasada quanto ao reconhecimento dos benefícios das pesquisas científicas, de forma que as aplicações financeiras nessa área continuam escassas.

Inicialmente, cabe a análise do processo industrial do Brasil e suas consequências na atualidade. Segundo a psicanalista Maria Rita Kehl, sociedades periféricas têm ideias forçadas e fantasiosas de “tornar-se o outro”, ou seja, transformar-se em um país desenvolvido sem, no entanto, realizar as devidas revoluções industriais necessárias para se alcançar esse patamar. Esse desejo, chamado de Bovarismo, não favorece a modernização do Brasil, pelo contrário, inibe processos emancipatórios, fortalecendo dependências em relação a outros países e também deprecia o desenvolvimento científico e tecnológico. Desse modo, é importante que o país estabeleça um progresso industrial de acordo com suas especificidades e não apenas como uma cópia de outras nações, fortalecendo, assim, a sua capacidade de produção e disponibilidade de aparatos tecnológicos para o aperfeiçoamento da pesquisa científica e consequente diminuição da evasão de estudiosos.

Ademais, é fundamental entender como a mudança de mentalidade por meio da educação é necessária para a valorização do meio científico. De acordo com o sociólogo Florestan Fernandes, a educação é o caminho para a emancipação humana e capacitação intelectual, fornecendo possibilidades para transformações sociais. Nessa óptica, a fim de se alcançar mudanças sociais que estimulem a valorização da produção de conhecimento por estudiosos, é imperativo que existam investimentos, também, no ambiente escolar. Dessa forma, haverá aplicação financeira e apoio necessários para que cientistas, pesquisadores e acadêmicos em geral não precisem sair do país.

Diante do valor indispensável da produção científica, é essencial, portanto, que o Ministério da Economia estabeleça um plano orçamentário destinado a atividades industriais e práticas acadêmicas, oferecendo maiores verbas, as quais serão utilizadas para maior flexibilidade na remuneração e suporte estrutural. Assim, haverá um aumento no número de pesquisas. Além disso, o Ministério da Educação (MEC) deve estimular o ensino acerca do progresso científico realizado por meio de estudos, utilizando, para isso, descobertas recentes e que promovam a curiosidade. Dessa forma, existirá uma valorização e melhora do trabalho dos pesquisadores, desestimulando a fuga de cérebros no Brasil.