Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/06/2020
Consoante o pensamento de Nelson Rodrigues, teatrólogo brasileiro, a população tupiniquim vive um “Complexo de vira-lata”, sub-valorizando o país e exaltando os países estrangeiros. Sob essa lógica, infere-se que, no contexto hodierno, muito se tem discutido acerca da migração de estudantes e cientistas para outras nações, o que evidencia, notadamente, o conceito defendido pelo pensador. Assim, é imperativa uma análise das causas que contribuíram para a construção dessa problemática, bem como acerca dos impactos, os quais são desafios contemporâneos, ocasionados pela ausência de investimentos estatais para com o desenvolvimento científico canarinho.
Pontua-se, a priori, que na historiografia brasileira, desde os processos de colonização do século XVI, o nativo foi obrigado a viver a partir dos moldes estrangeiros, assimilando a religião, cultura e costumes do colonizador. Além disso, enquanto a Europa passava pelo período renascentista, o qual estava repleto de cientificismo, a nação tupiniquim ainda vivia à mercê dos moldes agrícolas. Com efeito, tais fatores não só contribuíram para o sentimento de inferioridade do cidadão canarinho, mas também para a precariedade dos investimentos no ramo tecnológico e educacional do país ao longo dos séculos. Assim, na contemporaneidade, a “fuga de cérebros” tornou-se uma infeliz realidade, exemplo disso é relatado pela neurocientista Suzana Herculano-Houzel, na revista ‘‘Piauí", para a qual o Brasil está repleto por uma visão que desestimula inovação e desperdiça recursos no âmbito científico. Assim, tais fatores não só evidenciam, mas também contribuem para o retrocesso nacional.
Infere-se, ainda, que para o pensamento do filósofo Immanuel Kant, o ser humano só atinge a maioridade quando sintetiza a possibilidade de agir com sua própria razão. No entanto, o Governo, ao negligenciar investimentos e incentivos para os setores educacionais públicos da nação, obriga os cidadãos, necessariamente as gerações contemporâneas, a permanecerem em seu estado de menoridade. Concomitantemente a isso, as Escolas emergem como importantes agentes que podem auxiliar na mitigação da problemática, já que, ao formarem cidadãos mais autônomos, auxiliam na construção de uma mentalidade que primazia o progresso científico de cada indivíduo.
Destarte, medidas são cruciais para reverter a ‘‘fuga de cérebros’’ da população tupiniquim. Para que isso ocorra, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve investir em projetos sociais que busquem levar, para cada escola pública do pais, incentivos nos campos tecnológicos e científicos. Isso deverá acontecer por meio de um amplo apoio midiático, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre os professores, a fim de reverter barreiras sobre o tema e atingir um público maior. Assim, o ‘‘Complexo de vira-lata’’ não será mais uma realidade contemporânea.