Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/06/2020
No livro “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, o protagonista é enviado pelo pai para a Europa a fim de realizar o seu ensino superior e,posteriormente, voltar ao Brasil para assumir algum cargode prestígio. Fora da ficção, essa antiga tendência, comum na alta sociedade, não vigora mais na contemporaneidade, uma vez que hoje muitos visam sair do país, mas sem planos de voltar. Desse modo, percebe-se que a fuga de cérebros é agravada pelo desestimulo dado ao desenvolvimento científico por parte da sociedade e do Estado.
Cabe analisar, inicialmente, que a visão anacrônica da sociedade, no que diz respeiro ao desenvolvimento científico, é um entrave no combate à fuga de cérebros no Brasil. Isso é explicada pelo conceito de “Bovarismo brasileiro”, de Maria Rita Kehl, no qual afirma paises da periferia do capitalismo modernizaram-se tomando como referência as revoluções industriais e burguesa europeia sem realizar nem uma nem outra. Dessa forma, nota-se que a terra tupiniquim já se sentia moderno apenas pelo fato de que assim desejava tornar-se, já que quer ser o outro sem reconhecer a sua prória realidade. Esse complexo que o Brasil enfrenta reflete na questão científica, visto que a sociedade brasileira não valoriza as próprias inovações, como o do biocombustível etanol, por causa do mito da superioridade dos paises desenvolvidos.
Além disso, o parco investimento Estatal no desenvolvimento científico também é um desafio no combate à fuga de cérebros. Tal fato é mostrado no relatório Indicadores Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação, de 2018, o Brasil investiu menos de 2% do PIB em pesquisa e desenvolvimento em 2017, valor muito abaixo de paíse que lideram a corrida tecnológica como Coreia do Sul e Estados Unidos. Essa situação compromete não só o desenvolvimento interno, com estagnação da inovação, como também planos econômicos. Diante disso, continuar com “planos” econômicos que incentivam apenas a mediocridade da população são impraticáveis, tendo em vista que ainda incentivam a fuga de cerébros no Brasil e corroboram para a estagnação do mesmo.
Portanto, é preciso que o Governo, entidade que deveria defender o acesso de direitos dos cidadão, incentive o desenvolvimento ciêntifico do Brasil. Isso por meio de um investimento de, pelo menos, 2% do PIB nessa área e por intermédio de uma maior valoração do meio acadêmico, através da prática de feiras ciêntíficas, em todo o país e por todos os níveis de ensino, que sejam transmitidas nas plataformas midiáticas e o vencedor premiado com a aplicação de seu projeto. Assim, acabará o desestímulo na área ciêntífica por parte da sociedade e do Estado, e , consequentemente, a fuga de cérebros. Logo, aqueles que saírem do país terão intenção de voltar como Brás Cubas.