Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 08/06/2020

No início do século XX, o continente europeu caracterizava-se como um centro cultural muito atrativo  para artistas, a exemplo da ilustradora Anita Mafaltti, que apesar de ser brasileira, formou-se na Academia das Artes de Berlim em 1914 e que, ao retornar ao Brasil recebeu várias críticas dos nacionalistas da época. Muito além da figura modernista, sabe-se que há ainda na atualidade uma problemática em relação à evasão intelectual no Brasil para outros países. Dessa forma, é necessário avaliar os empecilhos sociais e políticos que dificultam a permanência de estudantes e profissionais no país.

Desde o período renascentista enxerga-se no Estado, assim como na sociedade, a responsabilidade de se investir em várias profissões por meio de capitais públicos e privados. Esse papel social, ligado  ao apoio financeiro às classes trabalhadoras se reflete na estruturação da comunidade e dessas ocupações como classes valorizadas nesses países. Assim, diferentemente de como fora feito pelos mecenas na Idade Moderna, que auxiliavam artistas europeus a se educarem, o atual cenário brasileiro não é compatível com essa narrativa, visto que os baixos investimentos configuram um desestímulo à permanência no Brasil. Dessa forma, ao tomar como base os pensamentos do filósofo Luis Althusser, que define que as instituições de ensino são aparelhos ideológicos, pode se reafirmar a importância do estímulo ao estudo e à educação dentro de uma nação para que haja progresso.

Em consequência disso, tornou-se preferível no Brasil a migração para outros países em busca de maior suporte governamental e um estilo de vida considerado superior. Esse hábito, chamado de “bovarismo brasileiro” pela filósofa política Maria Rita Kehl é caracterizado pela apreciação do sistema estrangeiro atrelada à depreciação do aparato nacional. Isso foi extremamente prejudicial à história do país, como pode ser exemplificado no governo de Juscelino Kubitschek, que tentou modernizar as cidades unicamente inspirado na arquitetura europeia. Dessa maneira, a relação entre os cidadãos brasileiros e a “pátria mãe” vem sendo prejudicada por esses fatores, como demonstra uma pesquisa do Datafolha, onde 62% dos jovens afirmaram que deixariam o país se pudessem.

A partir desse contexto, percebe-se que a falta de admiração pelo poderio intelectual e dos costumes nacionais acabam por resultar em um fluxo enorme de jovens e adultos para o exterior. Cabe ao Ministério da Educação conjuntamente com os governos estaduais proporcionar um aumento de verbas para as instituições de ensino básico e superior, especificamente voltados para uma proposta de inserir elementos da cultura brasileira em conteúdos por meio de aulas, pesquisas, e dissertações. Com isso, será possível ter acesso a uma educação de qualidade sem precisar sair do país.