Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 05/06/2020
Segundo o Pai da Ciência Moderna Galileu Galilei, a ciência é capaz de ampliar os horizontes da humanidade. No entanto, hodiernamente, o Brasil não apropria esse princípio em sua realidade, visto que o escasso financiamento em pesquisas científicas e a desvalorização dos pesquisadores, pela própria sociedade brasileira, propiciam a migração de estudiosos competentes para outros países.
Em primeira análise, o descomprometimento estatal com os investimentos na área científica intensifica a fuga de cérebros do país. Prova dessa tendência é que, segundo os ex-presidentes do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Científico) existe um déficit de 330 milhões de reais apenas para o pagamento de bolsas estudantis. Essa conjuntura obriga os pesquisadores a buscarem acolhimento no exterior, dado que a grande quantidade de tempo e energia cobradas pelas pesquisas colocam esses indivíduos completamente dependentes do auxílio financeiro fornecido pelo governo. Nesse sentido, ir para Europa, por exemplo, se torna muito atraente, pois, além das instituições públicas, o estudante conta com financiamentos de entidades privadas, que são quase inexistentes no Brasil, deixando-o completamente vulnerável ao descaso do Estado.
Além disso, a sociedade canarinha não valoriza devidamente os talentos brasileiros. Esse comportamento de superestimar o que é estrangeiro e negligenciar as potencialidades nacionais foi chamado, pelo escritor Nelson Rodrigues, de “Síndrome de Vira-lata”, pois, assim como um animal de raça não definida é encarado como inferior perante uma raça pura, os brasileiros encaram a si próprios como medíocres em relação a outras nações. Esse panorama afeta diretamente a carreira dos cientistas, pois eles se veem desencorajados a desenvolver projetos e pesquisas em uma sociedade que não reconhece suas contribuições para o país. Dessa forma, muitos profissionais preferem exercer seus estudos no exterior, onde são acolhidos e prestigiados.
Portanto, a fim de reduzir a fuga de cérebros do Brasil, é mister que o Poder Executivo contemple as necessidades dos órgãos financiadores de pesquisa científica. Isso pode ocorrer com a separação de uma parte do orçamento, previsto pela Lei de Diretrizes Orçamentárias, de forma que os recursos necessários para o pagamento integral das bolsas estudantis sejam fornecidos e os estudantes tenham segurança em realizar seus estudos no país. Consoante a isso, é imperiosa a ação do Ministério da Ciência no que se refere a informar a população sobre a importância desses pesquisadores brasileiros, por meio de um projeto que divulgue, nas principais mídias, as contribuições desse grupo para o progresso da nação e porque eles devem ser valorizados. Assim, será possível que a ciência, efetivamente, expanda os horizontes da humanidade, como afirmou Galileu Galilei.