Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 04/06/2020
Desde o início da história da humanidade vê-se a importância de grandes nomes na ciência e sua capacidade de transformação, como René Descartes com a criação do método científico e sua máxima: “Penso, logo existo”. Contudo, o que tem se visto no Brasil é a desvalorização de mestres, doutores, cientistas, dentre outros, que vem implicando na fuga de cérebros do país. Assim, se evidenciam os seguintes desafios para lidar com essa questão: um governo permissivo e uma sociedade com pensamentos controversos.
De fato, está em curso um verdadeiro desmonte do meio científico, sobretudo no governo vigente, pois, segundo a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), há estimativas de que haverá uma redução de 80% nos investimentos para órgãos como o CNPQ (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Somado a isso, há a inexistência de um plano de carreira solidificado no país, em contrapartida, no Japão, há parcerias público privadas capazes de colocar em torno de 60% dos seus pesquisadores em empresas, conforme reportagem da BBC. Não obstante, a condição brasileira para os seus cérebros é de insegurança.
Dessarte, um outro viés que reforça essa situação é a valorização da Cultura de Massa, enunciada pela Escola de Frankfurt, que se associa a valorização do consumo excessivo de conteúdos superficiais, sem passar pelo viés crítico, em detrimento da assimilação de informação de qualidade que exige reflexão. Com isso, a luta pelo investimento e pela valorização das ciências fica obscurecida por pensamentos controversos que ganham destaque com os terraplanistas e movimentos anti-vacina. Tal conjuntura, implica na desestimulação de profissionais sérios, que por não encontrarem um espaço favorável no meio científico brasileiro optam por buscar oportunidades melhores no exterior.
Em suma, os desafios se evidenciam na sociedade de forma generalizada, seja na falta de investimento por parte do governo, ou seja em um âmbito social que desqualifica a ciência. Portanto, é necessário que o governo em todas as suas instâncias se una aos Ministérios da Ciência, Tecnologia e Inovação, da Educação, dentre outros, para que haja um aumento dos recursos destinados para esse meio. De modo que, desenvolvam parcerias com órgãos como o CNPQ, empresas, universidades e escolas, com o intuito de realizar uma ampla mobilização, para levantar recursos, realizar palestras e fóruns com o objetivo de evidenciar a relevância da ciência nos diversos níveis de educação. Só assim os sucessores de pensadores como René Descartes encontrarão espaço no país.