Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/06/2020
No século XIX, o Brasil enfrentou um “boom” demográfico na zona urbana da cidade de São Paulo em consequência da migração da população, das regiões Norte-Nordeste para a Sudeste, que tinha como objetivo a busca por melhores condições de vida. Nessa perspectiva, ainda no século XXI, muitos brasileiros, em especial os estudantes e profissionais, migram para outros países. Isso ainda acontece, pois há desafios a serem enfrentados para o combate dessa fuga de cérebros, como a falta de incentivo por alguns Ministérios do Governo, consequentemente, falta de valorização desses brasileiros.
Em primeira análise, há descaso do Ministério da Educação e da Ciência com os Centros Educacionais Brasileiros, uma vez que, para alguns, é necessário sair do seu país de origem para buscarem uma vida digna, melhores oportunidades e mais valorização da sua inteligência no exterior. Prova disso é o exemplo que a pesquisadora Fernanda Werneck dá em uma entrevista ao Jornal da Globo, que se caracteriza pelo fato de seus amigos saírem do país para o exterior em busca de maiores investimentos em suas pesquisas, pois no Brasil falta essa credibilidade para os estudantes e para a ciência. Isso afeta negativamente o país, porque se houvesse essa disponibilidade de investimentos no campo estudantil e científico não haveria a fuga de cérebros para outros países e esse poderia ser um grande centro para a formação e desenvolvimento de diversas pesquisas.
Além disso, como consequência da falta de reconhecimento pelo Governo, há falta de valorização desses cérebros no mercado de trabalho, somando-se 700 cientistas por milhões de habitantes, no Brasil, enquanto que nos Estados Unidos, por exemplo, há 3900 por esse mesmo total, segundo a UNESCO. Isso mostra a falta de oportunidades que há para essa área e o desestímulo a muitas pessoas seguirem esse ramo e realizarem os seus sonhos no país, porque a grande maioria não têm condições para migrarem em direção a polos que agreguem valor ao seu conhecimento. Outrossim, embora haja incentivo para que os jovens sigam as ciências, como o programa “Ciências sem Fronteiras”, as crianças e pessoas recém formadas também precisam disso para seguirem e continuarem nesse ramo, o que poderá trazer benefícios para o país.
Portanto, é necessário que o Ministério da Educação e da Ciência invistam nas Universidades, por meio de incentivos à pesquisa, com verba que garanta todo o processo, sem cortes nas bolsas estudantis para que muitos brasileiros não precisem migrar em busca de novas oportunidades e que o Brasil possa proporcionar isso. Além disso, o Ministério do Trabalho, em parceria com os já citados, investir em trabalhos e construção de polos tecnológicos que valorizem o campo científico e a mão-de-obra local, a fim de que o país seja um centro desenvolvido como tantos outros países.