Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 10/06/2020
Durante o período Homérico, houve uma imigração em massa de gregos em busca de terras férteis, fato conhecido como Segunda Diáspora Grega. Hodiernamente, no Brasil, uma nova onda de dispersão tem ocorrido no campo científico, fenômeno denominado “fuga de cérebros”. Problemas estruturais e a desconfiança pública relacionada à ciência são alguns dos desafios a serem enfrentados no combate à evasão de cientistas no país.
Em primeira análise, pontua-se problemas estruturais como um desafio enfrentado no combate à fuga de cérebros no Brasil. A falta de agilidade na aquisição de equipamentos e reagentes, a carência de recursos financeiros para o incentivo ao desempenho do pesquisador e o precário suporte administrativo e estrutural dos centros de pesquisas são motivos que contribuem com a evasão de cientistas no país. Tais fatores estão relacionados à gestão pública vigente, uma vez que os investimentos em pesquisas dependem do interesse do Governo em liberar subsídios. Assim, em uma nação onde há a precariedade de verbas e estruturas destinadas à pesquisa, na qual, de acordo com O Globo, em 2019, houve uma redução de 87% da quantia atribuída ao desenvolvimento científico, o processo de diáspora intelectual torna-se corriqueiro.
Além disso, outro obstáculo a ser enfrentado no combate à fuga de cérebros no Brasil é a desconfiança pública com relação à ciência. Apesar de alguns avanços, as pesquisas e a mentalidade científica ainda não estão incorporadas de modo pleno na sociedade. Essa situação deriva, sobretudo, do histórico de exclusão social no Brasil. Dessa forma, em um país onde 44% não lê (O Estadão), o cientista é encarado como “desocupado” e suas análises como irrelevantes ao desenvolvimento social. Isso dá força ao processo de evasão de pesquisadores, os quais partem em busca de locais onde suas descobertas sejam valorizadas.
Em vista disso, para diminuir o processo de fuga de cérebros no Brasil, cabe ao Governo Federal aumentar o investimento em pesquisas, por meio de parcerias com indústrias de produção acadêmica e fornecimento de subsídios monetários, a fim de agilizar o processo de aquisição de materiais e garantir uma boa estrutura financeira, laboral e pessoal para os cientistas. Outrossim, cabe também ao Governo Federal, em parceria com o Ministério da Educação, elaborar campanhas públicas de valorização da pesquisa e de pesquisadores, as quais deverão ser feitas em forma de palestras nos centros educacionais. Tal atividade será ministrada por cientistas, os quais deverão expor suas descobertas de forma dinâmica e acessível, a fim de demonstrar a relevância da ciência para a população. Assim, a diáspora em busca de “solos férteis” não será uma realidade hodierna para cérebros brasileiros.