Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 09/06/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo e o meio social padronizam-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a falta de medidas que visam a propor o combate à evasão de estudantes e profissionais prestigiados academicamente no Brasil apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do descaso do poder público, quanto da própria necessidade de valorização e respeito por aqueles que fazem ciência no país.

A priori, é fulcral pontuar que a saída de cientistas no Brasil deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador inglês Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto isso não ocorre nessa nação. Sob essa perspectiva, a falta de atuação das autoridades, no que se refere à quase ausência de incentivos financeiros em projetos e pesquisas, aos baixos investimentos em ciência e tecnologia e até mesmo à falta de oportunidade de emprego só vão tender a fazer com que mais e mais esses pesquisadores aceitem melhores propostas fora do país.

Ademais é possível somar, aos aspectos supracitados, a carência de debate sobre a importância desses profissionais tão fundamentais, porém, infelizmente, ainda pouco valorizados. De acordo com o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, “O progresso é impossível sem mudança; e aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada”. Partindo desse pressuposto, é notável a desconfiança da população e dos governantes quanto aos que fazem ciência, é preciso combater esse problema, visto que enquanto o senso comum acredita que essas pessoas “só estudam e não trabalham”, esses profissionais sustentam pesquisas que são possíveis grandes avanços para a ciência, saúde e tecnologia do país com o próprio “bolso”, quando não deveria ser dessa maneira.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para garantir a solidificação de políticas que objetivem à construção de um mundo melhor. Destarte, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve, juntamente ao Ministério da Educação, melhorar as condições de trabalho de pesquisadores, por meio de incentivos financeiros à projetos e pesquisas, investimentos em tecnologia de ponta e redução de burocracias administrativas como licitações ou compras de equipamentos e materiais necessários para o progresso de seus estudos. Além disso, por meio de um redirecionamento de capital para estados e municípios, a produção de eventos e palestras que possam levar profissionais requisitados para discutir a importância desses profissionais para todas as áreas do trabalho, promovendo assim a valorização na sociedade.