Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 09/06/2020
De acordo com o economista, diplomata e político Roberto Campos, “mais importante que as riquezas naturais são as artificiais de educação e tecnologia”. Nesse contexto, um país naturalmente rico, mas que não detêm conhecimento e tecnologia torna-se um país de commodities, onde outros países compram suas matérias-primas a baixo custo, as trabalham e as vendem de volta por altos valores. Infelizmente, é para essa realidade que o Brasil caminha, uma vez que os doutores que aqui se formam têm emigrado cada vez mais para outros países mediante problemas como a falta de incentivo e o não reconhecimento ou valorização nacional das pesquisas nas áreas de ciência, tecnologia e inovação.
Primeiramente, é válido ressaltar que uma carreira como pesquisador não é fácil, pois implica em muitos anos de estudo, altíssima carga horária na execução dos experimentos e ainda mais no trabalho dos dados levantados. Conforme o economista ganhador do Prêmio Nobel, Arthur Lewis, “a educação nunca foi despesa. Sempre foi investimento com retorno garantido”. Contrapondo-se, no entanto, podemos destacar a falta de incentivo como principal dificuldade enfrentada pela pesquisa brasileira. Comentários como o de que as universidades públicas promoveriam “balbúrdias” e os recorrentes contingenciamentos e cortes de verbas feitos pelo estado fazem com que o pesquisador trabalhe em ambientes com infraestrutura precária, com falta de utensílios, insumos e equipamentos de proteção, vendo-se muitas vezes obrigado a custear sua pesquisa sem sequer ter a garantia de que receberá a bolsa para suprir gastos como alimentação e locomoção.
Segundo Gilberto Freyre, “o saber sem um fim social será a maior das futilidades”. Desse modo, a maioria das universidades oferecem serviços gratuitos ou a baixo custo nas mais diversas áreas de atuação. Porém, a crença em boatos difamatórios somada ao fato de que grande parte da população não conhece como funciona um campus, fazem com que acreditem que nossos cientistas são estudantes que recebem verba pública para uma vida fácil. Não conhecendo ou usufruindo integralmente dos projetos e serviços universitários e tão pouco defendendo a pesquisa nacional.
Mediante o exposto, podemos concluir que o esforço patriota para defender uma área tão importante torna-se desgastante. Diante disso, para minimizar o “êxodo de cérebros no Brasil” aconselha-se à valorização da pesquisa nacional, pela união, por meio de campanha midiática que estimule a população a conhecer, desfrutar e se orgulhar das nossas universidades. Além disso, recomenda-se o proporcionamento de melhores condições de trabalho, mediante um maior direcionamento de verba, pelo estado, para subsidiar pesquisas e evoluir como nação, pois investiríamos no que ao mesmo tempo têm fim social, retorno garantido e é a mais importante riqueza de um país, o conhecimento.