Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 08/06/2020

Na série “Elite”, produzida pela “Netflix”, a personagem Nádia, após ganhar uma bolsa de estudos, vai para uma instituição de ensino superior em Londres, reconhecida pela educação de qualidade. Apesar de não ser uma série brasileira, a realidade de muitas pessoas se assemelha à de Nádia, quando saem do país em busca de um melhor ensino. Isso acontece no Brasil devido à falta de investimento do poder público em educação de qualidade, bem como a falta de incentivo à população que, por conseguinte, gera o desinteresse, sendo assim, aspectos que precisam ser analisados.

A princípio, ao analisar a questão histórico-cultural do Brasil, é evidente que a falta de incentivo ao desenvolvimento científico começou desde o Brasil Colonial. Isso acontece devido à produção agropastoril, na qual o Brasil sempre foi muito eficiente graças ao clima e solo favoráveis, em detrimento do desenvolvimento de novas tecnologias como propriedade da Europa. Essa evidência perpetua a ideia de que o Brasil é atrasado quando comparado a outras potências e, muito dessa realidade está atrelada à falta de incentivo em educação de qualidade no país. Dessa maneira, a cultura existente de que apenas o que “vem de fora” é melhor, o Brasil acaba por parecer não se preocupar tanto com o investimento nesse setor, já que o financiamento tecnológico e em pesquisas pelas universidades sempre foi debilitado e isso foi ainda mais perceptível com a fala dita pelo governo atual de que o que é feito nesses locais não passa de “balbúrdia”. Desse modo, todo esse descrédito faz com que o país perca trabalhadores devido à “fuga de cérebros” e gere uma escassez de mão de obra qualificada, tornando o Brasil cada vez mais dependente de estudos de países alheios.

Outrossim, a falta de estímulo aos “grandes cérebros” impossibilita que haja um interesse por parte dos estudantes em buscar conhecimento. Dessa forma, criou-se uma cultura no país de que nada do que é feito no Brasil tem tanto valor e, com isso, a emigração de pessoas em busca de melhor ensino tem crescido nos últimos anos. Dessa maneira, a “fuga de cérebros” é um obstáculo enfrentado pela ciência e, em tempos de crises como a do Covid-19, acaba por mostras ainda mais suas falhas.

Torna-se evidente, portanto, que é preciso que o Estado tome medidas necessárias para diminuir a “fuga de cérebros” no país. Cabe ao poder público investir na educação como forma prioritária, por meio de investimento financeiro, bem como o fornecimento de melhores condições para pesquisadores brasileiros ao ampliar seus laboratórios, além de destinar verbas para universidades e acreditar no poder da ciência, com o fito de que grandes profissionais não sejam “perdidos” para o exterior em busca de melhores condições de ensino já que o próprio país não valoriza. Sendo assim, chegar-se-á em outra realidade no país.