Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 05/06/2020
Desde o Brasil colonial, pessoas economicamente privilegiadas saíam do país para estudar nas metrópoles e retornavam após a conclusão dos estudos para sua pátria, trazendo consigo novas ideias, concepções essas que influenciaram a Inconfidência Mineira. Entretanto, recentemente, muitos saem do país sem a intenção de retorno, caracterizando, dessa maneira, uma ´´diáspora de cérebros´´, situação influenciada pelo pouco incentivo financeiro recebido e a atual situação político-econômica.
Em primeira análise, uma das causas para a fuga de cérebros é a falta de financiamento, o que leva muitos pesquisadores a realizarem pesquisas que beneficiam a sociedade como um todo com seu próprio dinheiro. Sob essa ótica, a série adolescente ´´Eu nunca´´, revela a trajetória de dois indianos profissionalmente especializados que imigram para os Estados Unidos em busca de oportunidades. Analogamente, a realidade do Brasil se vê cada vez mais próxima à citada, pois, devido a ser um país que não tem o apoio à pesquisas universitárias como uma de suas prioridades, assim como a Índia. Dessa maneira, diversos estudiosos recorrem a oportunidades oriundas do exterior, as quais acabam por proporcionar melhores condições de vida e trabalho para estes, e consequentemente, as vantagens alcançadas pelas pesquisas beneficiarão o país ´´receptor de cérebros´´, e não sua própria nação.
Em segunda análise, a crise política que se transformou em econômica em meados de 2016, contribuiu para o aumento de profissionais deixando o país. Denúncias de esquemas de corrupção, impeachment, queda do valor da moeda, redução de importações e mudança na linha ´´ideológica´´ do governo contribuíram para um corpo social instável e cético. Assim, diante dessa realidade, o capital governamental utilizado em pesquisas universitárias decresceu diante da justificativa de ´´corte de gastos´´ do Estado, além de ter diminuído também o apoio financeiro privado, diante da falta de estabilidade nacional. Em conformidade,a diáspora de cérebros foi a responsável pela queda de 8 lugares do Brasil de 2019 para 2020 no ranking da competitividade de talentos a nível global, divulgado pela escola de administração Insead.
Diante da situação, urgem medidas para a reversão desse quadro, a qual cabe ao Ministério da Educação a criação de um órgão destinada exclusivamente a tratar de pesquisas universitárias, através da utilização de uma parcela do fundo partidário para projetos universitários. Essa destinação de verba seria assegurada por uma lei redigida pelo Poder Legislativo, a qual objetivaria a disponibilização de parte do capital para a própria sociedade, como educação e saúde.