Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 10/06/2020

No século XV, época do Renascimento, o pensamento científico, contrapondo às ideias medievais, inaugurou uma nova era através do uso da razão aplicada às atividades antropológicas, a qual possibilitou transformações sociais, políticas e econômicas essenciais para a história da humanidade. Apesar de passados mais de 500 anos, e da sua importância provada ao longo do tempo, o exercício pleno da ciência ainda encontra obstáculos no contexto brasileiro contemporâneo. O déficit do ensino científico, e o subfinanciamento de pesquisas, são barreiras a serem enfrentadas pelos cientistas, que procuram fora do país melhores oportunidades de trabalhos.

Vale, primeiramente, salientar que o déficit do ensino científico, na educação básica e média, corrobora para a negação da ciência à medida em que as escolas não estimulam o pensamento crítico de seus alunos. Tais atitudes permitem o fortalecimento do senso comum e impedem, consequentemente, a propagação das ações baseadas em evidências. É notório, no Brasil atual, o questionamento sobre temas que já possuem um consenso científico formulado, a exemplo dos “terraplanistas” que acreditam que a Terra seja plana, contrapondo a tese secular, defendida e comprovada, de que a Terra é redonda. Essa propagação da ignorância, fortalecida pela falta de educação crítica, contribui para o desestimulo do cientista, e consequentemente para o seu êxodo do país.

Cabe, ainda, analisar que o subfinanciamento das pesquisas na área de ciência e tecnologia aumenta a dificuldade na execução das atividades científicas. Sabe-se que o investimento público é a principal fonte geradora de inovações cientificas e tecnológicas do país, entretanto, no Brasil, houve um declínio substancial no repasse de recursos às universidades federais (principais centros de pesquisas) com contingenciamento de mais de 40% na pasta de Ciência e Tecnologia. A falta de incentivo público gera um déficit de estrutura para o bom desenvolvimento das pesquisas, levando a saída de cientistas do país, que vão à procura de insumos e equipamentos para a plena realização das suas atividades.

Dessa forma, evidenciou-se que a falta de educação crítica associada ao não financiamento das pesquisas contribuem para a fuga do cientista brasileiro. A partir disso, vê-se a necessidade da atuação do Ministério da Ciência,Tecnologia,Inovação e Comunicação(MCTIC), responsável pela área de Ciência e Tecnologia, juntamente com as Universidades Federais, centros de realização e propagação de pesquisas, elaborarem um plano de fortalecimento do meio científico no país. O programa consistiria no maior repasse de recurso do MCTIC para as Universidades, por meio de aumento no programa de bolsas de pesquisas, e, também, na inclusão das Escolas no desenvolvimento de projetos. Entende-se assim, que tais ações servem como estímulos ao pensamento científico, evitando retrocesso medievais.