Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 08/06/2020
Ainda no século XX, Drummond escreveu o poema “no meio do caminho tinha uma pedra”. Apesar do lapso temporal, a metáfora da pedra ainda pode ser percebida como o combate à fuga de cérebros, que têm se apresentado como uma barreira para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Nesse viés, é notório que a falta de investimentos do poder público e de apoio populacional são os principais desafios a serem enfrentados para que esses profissionais sejam valorizados no próprio país.
Em primeira análise, o ínfimo investimento governamental no ramo cientifico é um dos desafios a serem enfrentados no combate à fuga de cérebros no Brasil. Essa realidade pode ser enquadrada na lógica acumulativa de capital do economista Celso Furtado. Segundo o especialista, o governo investe de maneira excludente dando preferência a áreas que lhe garantam um retorno financeiro imediato -como o setor agrícola-, em detrimento de áreas cientificas que incentivem pesquisas e inovações tecnológicas. Dessa forma, esse fato se apresenta como um dos expoentes para o subdesenvolvimento, visto que, com a fuga de cérebros, o Brasil fica inviabilizado de alcançar algum progresso tecnológico e, consequentemente, social e econômico. Como prova disso, com base em dados de pesquisas efetuadas pela UNICAMP, em 2017 já se alcançavam, em média, 21 mil cientistas em fuga para países como os Estados Unidos.
Outrossim, a ausência de interesse populacional, também, é um dos desafios enfrentados no combate à fuga de cérebros no Brasil. Esse cenário ocorre devido à execução de uma educação “bancária” nos âmbitos escolares, que, de acordo com o pedagogo Paulo Freire, tem apenas depositado conhecimento teórico em seus alunos, sem que haja nenhum processo de incentivo à fascinação pelas descobertas (pela ciência) e de conscientização acerca da importância dela para o desenvolvimento social. Nesse sentido, com a falta de apoio da população os cérebros brasileiros têm, crescentemente, fugido em busca de oportunidades e valorização de seus trabalhos.
Portanto, medidas são necessárias para que a fuga de cérebros não seja mais uma pedra no meio do caminho brasileiro. Logo, o Ministério da Fazenda deve promover uma melhor distribuição financeira para o Ministério da Ciência, de modo a incentivar a pesquisa, sobretudo nas universidades, por meio de projetos de iniciação científica e garantir aos profissionais os ambientes e equipamentos necessários para a realização dos seus trabalhos, a fim de que sejam geradas maiores oportunidades cientificas no país. Ademais, o MEC, por meio de projetos de lei, deve assegurar a execução de uma educação freiriana nos âmbitos escolares, com o propósito de estimular a formação de cidadãos engajados e conscientes acerca da importância científica para o desenvolvimento econômico e social do país.