Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 04/06/2020
Procurar melhores condições de vida é uma característica inerente ao homem, herança do seu passado nômade anterior à revolução agrícola. No século XXI, essa é a realidade de inúmeros brasileiros que saem do país em busca de mais investimentos no seu valor produtivo. Essa perda de mão de obra é, dessa forma, fruto da grande burocracia para o acesso de investimentos por parte dos inúmeros projetos científicos nacionais e pela falta de atrativos para a imigração de mão de obra qualificada.
Em primeiro plano, é importante destacar o artigo 23 da Constituição Federal que atribui à União o dever de proporcionar o acesso à pesquisa e à inovação para a população. Entretanto, esse artigo contrasta com a realidade brasileira, na qual, segundo o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, em 2017, apenas 1% do PIB é destinado à pesquisa e desenvolvimento.
Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, a sociedade pós-moderna é marcada pelo “desaparecimento” das fronteiras naturais, o que possibilita que o sistema capitalista vigente atraia cada vez mais trabalhadores em busca de condições de exercer suas habilidades no setor privado de países mais desenvolvidos. Logo, denota-se que a maior associação com empresas privadas é essencial para que o Estado possa investir mais e melhor na sua produção nacional de inovações.
Portanto, é mister que o Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações envie para o Congresso Nacional projetos de leis que, chanceladas pelo segundo, permitam que empresas que invistam em pesquisas científicas e no desenvolvimento de tecnologias para o setor público compartilhem das patentes e paguem menos impostos para existir no Brasil. Assim, será possível a atração de mão de obra estrangeira e a melhoria das condições de trabalho da brasileira. Desvinculando-se, assim, a população do sentimento escapista por uma vida melhor que seus ancestrais compartilhavam milênios atrás.