Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 04/06/2020

A teoria do Possibilismo geográfico, defendida pelo geógrafo Paul de La Blache, afirma que os seres humanos são capazes de modificar suas realidades a partir de suas técnicas. De modo que, ao ocorrer a elevação do êxodo da mão de obra qualificada no Brasil, esse país tem redução da possibilidade de desenvolver conhecimentos avançados, os quais poderiam ser utilizados como mecanismo para melhoria da situação brasileira atual. Tal emigração é ocasionada pela crise econômica presente no país e se configura como um empecilho ao desenvolvimento do mesmo.

É notório que a recessão econômica, enfrentada pela sociedade brasileira desde 2014, implica na redução de gastos em vários setores, dentre eles, o de pesquisas científicas. Por conseguinte, profissionais passaram a não receber investimentos em seus projetos que, segundo a teoria possibilista, seriam necessários à continuidade de suas atividades. Em decorrência disso, pesquisadores precisam, por vezes, destinar recursos por conta própria, os quais podem ser insuficientes para a conclusão de projetos. Tal insuficiência não só inviabiliza o avanço de pesquisas mas intensifica a atratividade de países desenvolvidos a essa mão de obra.

Consequentemente, essa atração eleva os índices de emigração de pesquisadores brasileiros. De acordo com dados da Receita Federal, entre 2014 e 2016, período de agravamento da crise econômica, esse êxodo avançou em cerca de 30%. Tal avanço é um fator que retarda o desenvolvimento econômico do Brasil, pois as inovações tecnológicas geradas através desses projetos científicos iriam fornecer ao país recursos superiores aos investidos para a construção dos mesmas, além da possibilidade dessas comporem um eixo lucrativo capaz de amenizar a recessão financeira.

Portanto, o Ministério da Educação deve ampliar os recursos voltados para projetos, principalmente os da área tecnológica, uma vez que esses podem desenvolver produtos de alto valor agregado, capazes de diminuir os efeitos da crise econômica brasileira. Ademais, tal investimento forneceria a profissionais o auxílio que esses buscam em outros países para o desenvolvimento de suas carreiras. Reduzindo, dessa forma, o êxodo da mão de obra qualificada que, conforme defendia o geógrafo Paul de La Blache, dificulta a melhoria da realidade do Brasil.