Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 26/05/2020

No filme “O Menino que Descobriu o Vento”, de 2019, descreve a história de William, um jovem que mora em uma pequena aldeia africana. Durante a obra, acompanhamos os empecilhos enfrentados pelo prodígio ao tentar introduzir suas ideias inovadoras dentro de uma comunidade extremamente conservadora. Análogo ao protagonista, a ciência no Brasil perde todos os anos uma série de profissionais, tanto pela falta de investimento público quanto pela grave deficiência educacional.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a diáspora dos profissionais brasileiros afeta diretamente o desenvolvimento econômico do país. De acordo com uma pesquisa realizada pelo Professor Fernando Nogueira (UNICAMP), entre 2016 e 2017, foram mais de 40 mil profissionais qualificados que trocaram o Brasil pelos Estados Unidos. Isto se deve principalmente a falta de investimento público nos principais centros de pesquisa, forçando muitas vezes o desembolso pessoal de dinheiro dos pesquisadores para o financiamento das pesquisas. Ademais, os produtos nacionais perdem sua qualidade para os estrangeiros, desestabilizando a economia brasileira.

Em segundo plano, a migração intelectual influencia negativamente a base educacional do país. No livro “Os Sertões” de Euclides da Cunha, os personagens e suas escolhas são direcionados inconscientemente pelo ambiente em que vivem. Sob esta perspectiva, os estudantes brasileiros tem suas escolhas profissionais alteradas ou dirigidas para o sucesso no exterior, diminuindo ainda mais o número de profissionais qualificados.

Portanto, verifica-se uma clara necessidade interventiva a fim de solucionar tal problemática. Para combater a fuga de cérebros no Brasil, urge que o Ministério da Educação junto ao Ministério de Ciência e Tecnologia discutam um novo programa educacional nas escolas públicas que valorize a pesquisa e o conhecimento científico, fomentando a curiosidade e o interesse dos futuros profissionais brasileiros. Somente assim, traremos luz para nossos estudantes descobrirem mais que o vento.