Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 25/05/2020

Jovens pesquisadores brasileiros resolveram deixar o país em busca de melhores oportunidades para desenvolver seu trabalho em um ambiente mais favorável à ciência. Não há dados oficiais sobre esta fuga, porque os jovens doutores que deixam o país o fazem com bolsas das universidades ou centros de pesquisa do exterior que os contratam, e não das instituições brasileiras, como a Capes ou o CNPq. Três questões que ajudam a explicar a fuga de cérebros: as pesquisas acontecem somente em universidades públicas, que acabam servindo como moeda de troca de política pública, dependendo do candidato eleito, os investimentos podem cair; além disso, não existe uma indústria voltada para a produção acadêmica, de forma que equipamentos, peças de reposição e reagentes são adquiridos no exterior; quando o dólar e o euro sobem muito, muitos laboratórios simplesmente não conseguem funcionar. Outro ponto é o fato de eles serem tão solicitados no exterior, o que indica que as universidades, especialmente as públicas, cumprem seu papel de formação. O brasileiro é tão ou mais preparado que qualquer pesquisador norte-americano, ou seja, com algumas mudanças estruturais, seria possível aproveitar no Brasil esses pesquisadores, que são bem formados no ensino superior nacional. Nosso país precisa investir nesses “cérebros”, também precisa de uma indústria nacional de equipamentos de suporte à ciência.