Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 02/06/2020
O termo “fuga de cérebros”, advindo do inglês “brain drain”, foi primeiramente usado para descrever a migração em massa de cientistas europeus à América do Norte após a Segunda Guerra Mundial, em busca de melhores condições de vida e trabalho. Longe de ser um evento isolado, esse fenômeno continua a acontecer atualmente, especialmente de países menos academicamente desenvolvidos como o Brasil, rumo aos polos tecnológicos mundiais. Tal ocorrência apresenta um grave problema para as nações abandonadas, cujos projetos perdem seus principais pesquisadores, ampliando a divisa acadêmica entre o Norte e Sul econômicos.
A causa dessa diáspora é evidente: o Brasil não investe adequadamente no desenvolvimento científico quando comparado à gigantes da tecnologia como os EUA e a União Europeia. Muitos cientistas citam verbas insuficientes e falta de interesse como motivos para sua saída do país, como a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, que julga o âmbito acadêmico brasileiro “dominado por uma visão anacrônica que desestimula inovação” o principal motivo por trás de sua realocação para a Universidade Vanderbilt, nos Estados Unidos. Ademais, pesquisas conduzidas no Brasil geralmente são orquestradas por iniciativas privadas, o que muitas vezes acaba restringindo as liberdades intelectuais dos pesquisadores nacionais.
Essa fuga de cérebros torna-se um fenômeno cíclico: quanto menos intelectos permanecerem no país, menos inovações serão criadas sob jurisdição brasileira, subsequentemente menos avanços afetarão positivamente o desenvolvimento nacional, resultando em menos verbas alocadas à pesquisas nativas ao Brasil, e novamente menos intelectos conduzirão seus estudos no Brasil, ad infinitum. O passado econômico de países emergentes também assume um papel no subdesenvolvimento de pesquisas de ponta, tal como o foco do Brasil em indústrias de base, como agricultura e extração de recursos naturais. Tal especialização acaba desvalorizando os campos científicos mais expandidos em anos recentes, como a Tecnologia da Informação e a Medicina, novamente incentivando grande parte dos graduados brasileiros a levar seus estudos ao exterior.
Mediante as causas e consequências descritas, torna-se evidente a necessidade de combater a fuga de cérebros. Cabe a um esforço conjunto por parte dos Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MEC e MCTIC, respectivamente) revitalizar o interesse no avanço acadêmico brasileiro, tanto por parte das instituições, com a ampliação de verbas e programas de iniciação científica, quanto por parte dos acadêmicos, em virtude da garantia que suas colaborações serão respeitadas, incentivadas, e acima de tudo, totalmente apoiadas.