Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 25/05/2020
Após o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, o mundo vivenciou a bipolarização e a divisão ideológica entre o bloco capitalista e o comunista, liderados, respectivamente, pelos Estados Unidos e pela União Soviética. No entanto, sob a iminência de uma guerra nuclear, a disputa deu-se indiretamente, por meio da propaganda política dos sistemas vigentes e da “corrida armamentista”. Essa, por sua vez, consistia em uma competição entre as potências no que se refere ao desenvolvimento científico-tecnológico, o que propiciou, durante o período, inúmeros avanços importantes à sociedade. No Brasil hodierno, contudo, nota-se a desvalorização da ciência a qual acarreta a emigração de profissionais de qualidade em busca de melhores oportunidades, a denominada “fuga de cérebros”, e o consequente agravamento das desigualdades sociais.
Antes de tudo, é válido ressaltar os lucros que a ciência proporciona ao desenvolvimento nacional e à economia brasileira. Conforme dados divulgados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por exemplo, cada real investido em bolsas, projetos e infraestrutura relacionados ao setor agrícola gerou, a longo prazo, 27 reais. A área científica, todavia, contrário a quaisquer obviedades, tem sofrido, desde 2013, com cortes no orçamento os quais resultam em equipamentos obsoletos e na falta de suprimentos essenciais às experiências. Diante desse cenário, é natural que os pesquisadores vejam-se obrigados a emigrar a territórios cujas políticas sejam benéficas à produção científica.
Outrossim, deve-se analisar as implicações que essa diáspora cerebral provoca à nação. Ao passo que os países “importadores” recebem mão-de-obra qualificada e patenteiam suas inovações, os “exportadores”, geralmente subdesenvolvidos, desperdiçam uma população escolarizada cujos conhecimentos altamente especializados poderiam impulsioná-los. Evidencia-se, portanto, uma problemática, uma vez que, caso o Brasil não produza inovações e agregue valor tecnológico a seus produtos, ele tornar-se-á cada vez mais dependente de outros países e multinacionais.
É imprescindível, portanto, que o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, enquanto órgão responsável pela produção de conhecimento e riquezas, invista na comunidade científica, mais especificamente nos jovens, público essencial à mudança, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele constará que os pesquisadores, mediante apresentação dos impactos e potenciais de suas pesquisas à sociedade, podem ter acesso a um orçamento o qual possibilitará que sejam comprados os equipamentos e as amostras necessárias aos experimentos. Espera-se, com essa medida, mitigar a “fuga de cérebros” e alavancar a produção nacional.