Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 23/05/2020

O cenário econômico e tecnológico brasileiro ainda mantém o arcabouço técnico básico da Divisão Internacional de Trabalho (DIT), inserido na primeira Revolução Industrial do século XVIII, como exportador de matérias-primas e importador de produtos industrializados. Nesse contexto, convém abordar  os fatores causais dessa estagnação científica, a partir da evasão de cérebros no Brasil. Para isso, será mencionado os desafios no combate a essa problemática na esfera do Poder Público e da sociedade civil.

Primeiramente, pontua-se a inabilidade do Governo Federal na implementação de políticas com o intuito de criar, reter e atrair novos talentos no mercado de trabalho. De modo paroxal, observa-se um fluxo ascendente de profissionais altamente capacitados para países que oferecem melhores condições de trabalho e de vida, como a Universidade de Genebra, na Suíça, que dispõe de programa de busca de talentos internacionais. Prova disso, reside na queda para 80º lugar do ranking global de fuga de cérebros, que representa uma diminuição de oito posições em comparação com o índice de 2019, segundo dados da pesquisa Insead. Assim, é oportuno a modificação dos fatores repulsivos para tentar retificar e promover a transformação da DIT, atualmente, vendedora de commodities e compradora de tecnologia de ponta.

Por conseguinte, pode-se analisar a dificuldade da população em relação à inserção e à permanência em pesquisas tecnológicas, bem como a aquisição de emprego após a qualificação. Dessa forma, cita-se a redução de 7.699 bolsas e a ausência de reajuste salarial depois do término do mestrado e do doutorado, conforme dados da Coordenação de Aperfeiçoamente de Pessoal de Nível Superior (CAPES).  Além disso, constata-se que 60% dos pesquisadores dos EUA e da China estão alocados em empresas, comparado, apenas, a 18% desse grupo no Brasil. Logo, pode-se evidenciar os entraves estruturais dessa diáspora intelectual, e sua correção repercute positivamente para a superação desse atraso histórico.

Fica claro, portanto, a necessidade de evitar essa migração. Para isso, o Governo Federal deve implantar um programa de incentivo ao pesquisador, por meio da reestruturação dos recursos físicos e humanos do ambiente de trabalho, associado ao aumento do valor e da oferta de bolsas de estudo oferecidas pelo CAPES nas Universidades Públicas. Em adição, deve realizar parcerias com empresas públicas e privadas, no sentido de garantir a empregabilidade após a preparação técnico, por meio do fluxograma estratégico que promova a autonomia tecnológica do Brasil na indústria 4.0, difundida no modelo da quarta revolução industrial.