Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 20/05/2020

Policarpo Quaresma, personagem nacionalista da literatura brasileira, teria um desgosto profundo caso acordasse no século XXI e percebe-se a crescente desvalorização do conhecimento científico no país que defendia com unhas e dentes. Nesse cenário, seu triste fim seria observar as grandes mazelas que essa prática traz ao cotidiano. No que se refere aos desafios no combate à fuga de cérebros, a marginalização da ciência, aliada ao atual panorama de desestruturação do sistema educacional brasileiro, contribuem para que o Brasil seja um local de repulsão para os novos cientistas.

Em uma primeira perspectiva, sob a ótica social, a falta de estímulo à produção científica é um fator que impulsiona a busca por ambientes que valorizem o conhecimento. Isso porque ao se marginalizar a ciência, há a redução do apoio governamental e a falta de conhecimento de sua importância pela sociedade. Nessa caótica conjuntura, discursos anticiência ganham força, ainda mais quando o maior representante executivo do país compactua com esse discurso. Exemplo disso, foram as recentes declarações de Jair Bolsonaro acerca do novo coronavírus, as quais foram em contramão das recomendações de orgãos competentes e não possuiam respaldo acadêmico. Cenas como essas tornaram-se comuns no Brasil, o que estimula o desinteresse da produção de pesquisas no país e leva ao aumento da fuga de cérebros em busca de apoio e suporte para o desenvolvimento científico.

Ademais, vale ainda salientar que o frágil sistema educacional brasileiro instaura o ambiente perfeito para coibir a formação em massa de cientistas. Nesse contexto, as universidades brasileiras estão sucateadas, o que é um grande problema, uma vez que esses locais são os tecnopolos do país, ou seja, onde a tecnologia é produzida. Steve Jobs, afirmava que a tecnologia move o mundo, sob essa  análise, a falta de investimento na área pode ser uma das responsáveis pela atual condição arcaica da economia brasileira, visto que não houve significativos avanços no paradigma de reconhecimento da importância da produção de ciência nacional. Logo, muitos jovens preferem migrar para outras regiões a fim de elaborar suas teses e firmar-se no meio acadêmico com o merecido reconhecimento.

Torna-se evidente, portanto, que os desafios para combater a fuga de cérebros no Brasil estão relacionados aos aspectos políticos e econômicos que assolam o país. Para reverter esse quadro, é preciso que o Ministério Federal faça, em parceria com os Tecnopolos brasileiros, um programa efetivo de valorização a prática científica, por meio de apoio financeiro e estrutural assegurado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Para que assim haja o estímulo à permanência do cientista no país e a fuga de cérebros contida, agregando valor à nação. Dessa maneira, Policarpo Quaresma descansará em paz ao ver o seu projeto nacionalista adequado as novas realidades.