Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 21/05/2020
No século XIX, Gregor Mendel, botânico austríaco, revolucionou a área biológica ao descobrir o funcionamento da hereditariedade e demonstrar como ela ocorre, o que trouxe inúmeras vantagens à sociedade. Todavia, inovações como a de Mendel são comprometidas no Brasil, uma vez que há uma crescente emigração de profissionais do âmbito científico e técnico no país. Desse modo, convém compreender como o baixo investimento na ciência e a escassa expectativa de empregabilidade impedem a resolução desse impasse.
Em primeiro plano, é evidente que a pouca oferta de capital na área técnica e científica promove a problemática. Conforme a Carta Magna de 1988, o Estado deve incentivar o desenvolvimento da ciência, pesquisa e inovação. Todavia, percebe-se que essa norma restringe-se apenas na teoria, uma vez que o Governo desampara o setor científico devido a insuficientes investimentos, visto não só pelo baixo oferecimento de bolsas para mestrados e doutorados, como também pela falta de recursos para compra de materiais essenciais para as pesquisas, o que desestimula o profissional e, consequentemente, acarreta sua saída do país. Dessarte, em um Estado comprometido constitucionalmente com a área da ciência, é inadmissível que essa conjuntura continue.
Ademais, nota-se que a incerteza quanto ao futuro da carreira promove a diáspora de indivíduos altamente qualificados do Brasil. Segundo o portal G1, o Brasil tem apenas 18% de seus pesquisadores alocados em empresas, o Japão apresenta 60% para o mesmo fato. Esse panorama, indubitavelmente, decorre de um desinteresse do setor privado na contratação de indivíduos com maior grau educacional, visto que motivados por uma lógica capitalista e gananciosa de máxima lucratividade, as corporações veem essa mão de obra como investimento caro e de rentabilidade tardia, o que contribui para a emigração desses profissionais brasileiros em busca de oportunidades. Dessa forma, é vital reverter esse quadro, pois a fuga de cérebros acarreta a perda de um grande potencial inovador no território.
Urge, portanto, a necessidade de ações que combatam esses obstáculos que impedem a resolução do imbróglio. Sob essa ótica, o Ministério da Ciência e Tecnologia deve estimular a permanência de pesquisadores e cientistas no país, por meio da doação de maiores verbas para todas áreas desse setor, com estímulo à oferta de mais bolsas e compra de todo material essencial ao desenvolvimento de mais pesquisas, a fim de que a diáspora de cérebros seja diminuída. Outrossim, o Estado também deve incentivar as empresas a contratarem cientistas, mediante subsídios dados as corporações que realocarem mais desses profissionais, com o intuito de que assegure a carreira deles e sua estadia no país. Assim, para que inovações como a de Mendel sejam mais recorrentes no Brasil.