Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil

Enviada em 19/05/2020

“Cientistas brasileiras sequenciam genoma do Coronavírus em dois dias”. Tal feito torna-se ainda mais relevante quando considerado o cenário da área científica no Brasil, em que Institutos e pesquisadores lutam pela sobrevivência do seu trabalho. Devido a essa realidade, a saída desses profissionais para ambientes mais favoráveis à ciência têm aumentado nos últimos anos. Diante desse fato, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro, tendo em vista dois aspectos: a escassez de recursos e o obscurantismo quanto à importância do âmbito de pesquisas.

É necessário ressaltar, de início, a conjuntura do setor em pauta por conta da redução do orçamento, tornando dificultosa a realização dos estudos e manutenção dos prováveis equipamentos em uso. De acordo com o sociólogo Emile Durkheim, a sociedade ou “corpo orgânico” necessita das suas instituições para a garantia da ordem. Analogamente, a evolução e resolução de determinadas demandas desse mesmo “corpo” requer da ciência e de suas descobertas para que isso ocorra. Dessa forma, é evidente que o corte de verbas impacta negativamente tanto por provocar a migração recorrente desses talentos para além do território nacional quanto por afetar o desenvolvimento do país.

Outro ponto que merece destaque é o desestímulo a inovação que impede a alavancada do setor. Ademais, o não reconhecimento desse campo pode causar, a longo prazo, a diminuição dos que pretendiam trabalhar nessa área, retratando um retrocesso no meio. O país se tornaria dependente de descobertas estrangeiras e marcado pela sua passividade, visto que a fuga de cérebros tende a crescer como já indicado no aumento considerável de 160% de 2008 a 2017. A exemplo de outros países, o estímulo a inovação não é de hoje, em 1940, os Estados Unidos, com Franklin Roosevelt como presidente, criou a fundação para o combate a poliomielite por meio de uma campanha de doação de dez centavos por cidadão que resultou na vacina contra a doença e no prestígio do investimento cientifico.

Posto isso, para mitigar a problemática, cabe ao Ministério da Ciência e Tecnologia, juntamente com o Ministério da Economia, a criação de um orçamento factível por meio de um plano de metas e resultados, com o fito de que haja garantia da sobrevivência do setor e desenvolvimento ao país. Além disso, é obrigação da mídia, em parceria com instituições educacionais, abrir canais de comunicação mediante podcasts, por exemplo, e visitas a Institutos de pesquisa para que a população possa se interessar e conhecer a área. Portanto, é notável a relevância dos cientistas e da permanência deles no país para a prosperidade do “corpo orgânico” e melhor esclarecimento dessa era.