Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 19/05/2020
Desde o final do século XX, ficou claro que os países mais desenvolvidos são aqueles que, principalmente, produzem tecnologias, como boa parte dos europeus e norte americanos. Entretanto, o Brasil insiste em negar essa realidade e, consequentemente, permanece enfrentando problemas quanto a manutenção do corpo científico em território nacional. Dentre os desafios acerca da garantia da permanência de pesquisadores no país vale ressaltar os baixos auxílios financeiros a esse grupo e as grandes ofertas de bolsas internacionais oferecidas pelos estrangeiros.
Em primeira análise, vale ressaltar que há alguns anos que os auxílios financeiros promovidos aos cientistas não são reajustados, o que os torna insuficientes para o cenário atual do Brasil. Além disso, os frequentes cortes no número de bolsas de pós-graduação ofertadas pelo Ministério da Educação (MEC) minam ainda mais a chance de permanência de um pesquisador em solo brasileiro. Com base nesse cenário, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) realizou uma pesquisa que revela a saída definitiva do país estimada em mais de 20 mil brasileiros, com o intuito de realizarem ou concluírem seus projetos acadêmicos. Assim, torna-se notório o quão daninho o descaso com a camada científica e o quão rápido a nação se afasta da tendência mundial de desenvolvimento.
Concomitantemente, enquanto são minimizados pela própria nação, muitos pesquisadores brasileiros são bajulados por grandes potências estrangeiras. Países como os EUA e a Suíça tornaram-se o destino de muitos mestrandos e doutorandos, incentivados por grandes auxílios financeiros (que chegam a ser dez vezes maiores que os nacionais), vistos emitidos mais rapidamente além de maior estabilidade política. Por conta dessa diáspora científica, o Brasil tem se tornado tecnologicamente menos competitivo, segundo o Instituto Europeu de Administração de Empresas (INSEAD), que possui um dos rankings mais importantes na área de tecnologias. Se nada for feito, cada vez mais o país dependerá de outros Estados estagnando-o ou promovendo um crescimento retrógrado.
Desse modo, avulta-se a necessidade de mudanças. Cabe ao Poder Público o papel de, no mínimo, analisar e adequar as bolsas de pesquisas à atual realidade nacional, sanar o redução destas e promover aumentos financeiros progressivos. Assim, o número de pesquisadores tenderá a crescer e avanços no projetos de pós-graduação serão bonificados financeiramente. Ademais, o Estado deve buscar parceria com outros países para o compartilhamento de tecnologias desenvolvidas por brasileiros em solo internacional. Para tal, deve-se oferecer um auxílio financeiro para a estadia do cientista em troca do compartilhamento dos resultados obtidos. Tomadas tal medida, o Brasil se tornaria detentor de maior arsenal tecnológico e científico e rumaria consoante às nações desenvolvidas.