Os desafios no combate à fuga de cérebros no Brasil
Enviada em 17/05/2020
Durante o século XIX, enquanto países investiam exponencialmente em ciência e em tecnologia, a fim de acompanhar as mudanças advindas das Revoluções Industriais, o Brasil vivia o auge da produção cafeeira, principal fonte de renda do período Imperial. Essa postura agroexportadora prevalece até os dias atuais, em detrimento de investimentos tecnológicos ao desenvolvimento de ciência nacional. Esse cenário nefasto propicia a fuga de cientistas e de pesquisadores brasileiros para países mais ávidos à ciência, haja vista que não possuem apoio e recursos necessários para continuar seus estudos em território nacional.
Em primeiro plano, é crucial destacar que o processo de formação do Brasil como nação se deu por meio de diversas subordinações à metrópole portuguesa, dentre elas, a tecnológica. Nesse sentido, é possível afirmar que os ínfimos investimentos no setor educacional têm raízes históricas e assolam a permanência do país como subordinado às nações tecnologicamente desenvolvidas. Nessa perspectiva, os pesquisadores brasileiros vêem como única opção para seus estudos a saída do país. Dessa forma, há uma resistência ao desenvolvimento de ciência de autonomia nacional.
Além disso, o sucateamento das escolas e dos centros universitários tolhe o desejo do conhecimento e destrói a imaginação dos jovens, que poderiam modificar a conjuntura de produção científica nacional e, assim, minimizar a dependência de outros países. No entanto, a ausência do Estado como mediador de problemas sociais põe em xeque o potencial que poderia ser explorado, visto que não dispõe de projeto que mude tal panorama. Verifica-se, então, a necessidade da mudança de postura brasileira para conter a fuga de cérebros.
Para isso, urge que o Estado disponha de maciço investimento no campo educacional de nível básico, médio e superior, por meio de reformas estruturais das instituições (como construção de laboratórios) e de compras de equipamentos tecnológicos, a fim de que haja harmonia educacional, e desperte, desde a mais tenra idade, a curiosidade e amor pela ciência. Com isso, o Brasil conseguirá romper o vínculo vicioso de subordinado às nações desenvolvidas tecnologicamente e conter o fluxo migratório de pesquisadores nacionais.